Entre os taxistas, GNV ainda é o preferido

Ainda que 2008 traga reajustes ao preço do gás natural veicular, o taxista Coraci Pinheiro não abrirá mão do combustível para abastecer seu veículo. A justificativa é que o GNV, mesmo mais caro, permite rodar mais com um consumo menor.

Nas ruas de São Paulo há 17 anos, Coraci investiu R$ 2,3 mil para adaptar o motor de seu táxi ao GNV, em 2000. E não se arrepende. Por dia, ele gasta R$ 12 para trabalhar. Se continuasse com a gasolina, combustível que usava antes, teria uma despesa cinco vezes maior. O único ponto negativo do GNV era a demora para abastecer o carro na época em que fez a mudança.

"O que não compensava era enfrentar as filas nos postos." Embora existam sinais de que uma possível restrição ao consumo no varejo cause a escassez do combustível nos postos, Valdeles José da Silva, funcionário de uma oficina que faz a conversão de automóveis, não acredita em novos aumentos. E muito menos em corte no fornecimento. "Trabalho com gás há oito anos e sempre se viveu nesse buchicho."

Segundo Ricardo Alexandre da Silva, gerente de um posto de gasolina da zona norte de São Paulo, apesar dos freqüentes rumores, nunca faltou gás. "Aqui, os preços são os mesmos desde outubro (R$ 1,09 por metro cúbico), e nós temos combustível suficiente." Valdeles critica as notícias, que considera boatos: "É uma falta de consideração com o consumidor." Entre os benefícios que o uso do GNV proporciona ao motorista, além da economia, Valdeles lembra que o combustível é menos vulnerável a adulterações.

"Se eu abasteço em um posto e rodo 200 quilômetros, coloco a mesma coisa em outro e rodo 150 km, tenho como saber quem está me prejudicando, misturando ar ao gás", explica. Além disso, diz, o GNV não polui como o álcool e a gasolina. As vantagens são tantas, segundo ele, que o motorista poderia "doar" parte de seu lucro. "Eu vou propor uma lei exigindo que cada usuário de gás venha aqui no final do mês e dê uma caixinha a quem fez a conversão no carro dele", brinca.

Na oficina em que trabalha, o mecânico faz 30 conversões por mês. Mas, se houvesse incentivo, os números poderiam ser maiores. "Não se divulga que o gás é mais econômico", afirma. Desde o ano passado, o governo federal vem desestimulando motoristas a adotar o GNV. O objetivo é preservar as termoelétricas e os consumidores que já utilizam o combustível, em caso de racionamento.

O Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo estima que, dos 33 mil táxis que rodam na capital, 60% estão adaptados para o GNV. O de Coraci é um deles, e ele não quer nem ouvir falar de gasolina. "Só uso quando vou para algum lugar em que não encontro gás".

Fonte: site ultimosegundo

22/01/2008

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