Petrobras descobre jazida gigante de gás

A Petrobras anunciou ontem ter descoberto uma grande jazida de gás natural e condensado (óleo superleve, semelhante a uma gasolina) em águas ultraprofundas, a mais de 5 mil metros, na Bacia de Santos

A Petrobras anunciou ontem ter descoberto uma grande jazida de gás natural e condensado (óleo superleve, semelhante a uma gasolina) em águas ultraprofundas, a mais de 5 mil metros, na Bacia de Santos. Sem revelar a expectativa do volume das reservas, a companhia informou que a descoberta foi feita com a perfuração de um poço pioneiro, denominado Júpiter. Assim como a área de Tupi, também em Santos, com reservas de petróleo estimadas em até 8 bilhões de barris, a área de Júpiter se localiza na chamada área do pré-sal, abaixo da camada de sal.

Investimentos devem ultrapassar US$ 1,5 bilhão O poço pioneiro está localizado no bloco BM-S-24, a uma profundidade total de 5.252 metros, a 290 quilômetros da costa do Estado do Rio de Janeiro e a 37 quilômetros (leste) da área de Tupi. Esse poço está a uma profundidade de 2.187 metros de distância do nível do fundo do mar.

O consultor e geólogo da Coppe/UFRJ Giuseppe Bacoccoli disse que, mesmo sem ter acesso a detalhes, as reservas devem ser grandes, considerando a espessura da rocha com gás, que é de mais de 120 metros.

— Como o gás se expande, ao contrário do petróleo, uma rocha de 120 metros com gás significa que as reservas devem ser muito grandes mesmo — destacou Bacoccoli.

O especialista explicou que a profundidade e a distância da costa, quase 300 quilômetros, não são um problema para colocar o futuro campo em produção. Bacoccoli estima que em três anos a nova descoberta poderá entrar em produção. Os investimentos são elevados: cerca de US$ 1,5 bilhão apenas para a plataforma, sem considerar, se for o caso, a construção de um gasoduto até a costa.

— Produzir gás natural em grandes profundidades é menos complicado do que produzir petróleo. Isso porque, com altíssimas pressão e temperatura existentes lá embaixo, o gás natural chega à superfície muito rápido — destacou Bacoccoli, ao afirmar que, com grandes volumes, tanto pode ser economicamente viável construir gasodutos, como colocar uma unidade móvel de liqüefação próxima à plataforma, para transformá-lo em Gás Natural Liquefeito (GNL).

Grupo de Portugal tem participação no negócio A Petrobras tem como sócia na exploração desse bloco a empresa portuguesa Galp Energia, que conta com 20% de participação no negócio. Curiosamente, em Tupi, um dos sócios foi outra empresa portuguesa, a Petrogal.

Pouco depois de ser empossado como ministro de Minas e Energia, Edson Lobão comemorou o anúncio da descoberta do poço de Júpiter: — Já estou informado. É um megacampo de gás, de proporções gigantescas, que vai nos ajudar em muito pouco tempo a ter independência no setor.

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