Brasil ainda queima 10% do gás que produz

O volume queimado atualmente seria suficiente para gerar mil megawatts de energia elétrica. Também equivale a quase 70% do consumo total de gás no Rio, de 7,5 milhões de metros cúbicos por dia - o estado sofreu falta de gás no fim do ano passado, inclusive para veículos.

O programa de redução da queima de gás São 5 milhões de m³ diários, 70% do consumo do Rio. Petrobras quer reduzir desperdício de 14% para 8% em 2010

No momento em que o país "raspa o tacho" para aumentar a oferta de gás natural, estão sendo queimados 5,2 milhões de metros cúbicos por dia nas plataformas da Petrobras. A produção média do país era de 51 milhões de metros cúbicos diários, até novembro. Com a forte estiagem que esvazia os reservatórios das hidrelétricas, o país cada vez mais precisa de gás para mover termelétricas.

A Petrobras disse que está investindo pesadamente para reduzir essa queima. Segundo o gerente de Planejamento da Produção de Gás da Petrobras, Mauro Sant"Anna, estão previstos investimentos de US$100 milhões em seis projetos que permitirão uma redução de 800 mil metros cúbicos por dia de queima. Com isso, o percentual de utilização do gás produzido, hoje de 86%, chegará a 92% até 2010. Nesse ano, a produção de gás prevista é de cem milhões de metros cúbicos por dia.

Uma das soluções pode ser transformar gás em líquido

De 2001 a 2007 foram investidos US$300 milhões na redução da queima, permitindo que o índice de uso do gás produzido pela Petrobras no país fosse de 86% em 2006 e 2007. Em 1999, a queima era maior, e o aproveitamento ficava em 80% da produção total de gás natural nas plataformas foi incrementado pela Petrobras a partir de 2001, quando a estatal lançou o Plano de Otimização do Aproveitamento de Gás Natural da Bacia de Campos (Poag), que é acompanhado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Esse programa tinha 93 ações e procedimentos para redução da queima.

- A Petrobras continua, contudo, estudando várias linhas tecnológicas para elevar o aproveitamento de gás, através de seu Centro de Pesquisa (Cenpes) - disse Sant"Anna.

O executivo explicou que, no mundo todo, a queima de uma pequena parte do gás é necessária nas plataformas de petróleo, por questões de segurança nas torres ou por dificuldades operacionais durante a produção.

O Diretor de Negócios da Gás Energy (empresa de consultoria especializada em gás natural), Pedro Camarota, explicou que, nos campos onde o gás está associado ao petróleo, não é possível acabar completamente com a queima. Como nesses casos o gás é um subproduto, dependendo do volume que pode ser extraído, da qualidade do produto e da distância da costa ou de infra-estrutura logística para seu transporte, a queima é inevitável.

- Quando o gás é associado ao petróleo, a queima infelizmente é um mal necessário, inevitável. Mas a tendência é se reduzir essa queima com o avanço das pesquisas que estão sendo feitas - disse Camarota.

O especialista lembrou que, entre as pesquisas desenvolvidas no mundo e também pela própria Petrobras, está a possibilidade de se instalarem sistemas nas plataformas de petróleo para a transformação do gás em líquido, o que permitiria produzir o gás natural liquefeito (GNL). Outra possibilidade em estudos é a transformação do gás em combustíveis líquidos, chamados de “gas to liquid” (GTL).

A redução da queima de gás é uma luta diária da Petrobras, segundo Sant"Anna. Ele informou que, em 2005, a queima aumentou para 6,8 milhões de metros cúbicos por dia, devido à entrada em operação de diversas platafaformas. Quando uma plataforma começa a funcionar, ocorre a queima de gás durante a interligação dos poços e o período de comissionamento (fase de testes antes da operação).


Ascom / Ministério Planejamento, Ramona Ordoñez / “O Globo!, Nicomex Notícias, jan/08.

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