Em pouco tempo haverá gás para todos

Comprometer a credibilidade conquistada pelo uso do gás natural, nas indústrias e na área de GNV, constitui uma séria ameaça para a continuidade do emprego desse insumo no Brasil. Sem isso, os recursos previstos no Plano de Expansão do Gás Natural, da Petrobras, os investimentos privados na distribuição do gás e na indústria, a geração de empregos e o conseqüente crescimento econômico, rumo a um país mais competitivo, ficam praticamente inviabilizados. E isso, vai impactar por conseqüência a área de geração de energia elétrica.

A atual situação energética no país tem resultado em disputas entre insumos, e na prática de altos preços para o fornecimento de energia elétrica. Isso prejudica o desenvolvimento econômico, como conseqüência da falta de competitividade da indústria brasileira. O planejamento do sistema de geração de energia elétrica precisa ser revisto, por gerar altos custos de energia.

Os biocombustíveis, por exemplo, têm sido apresentados em todo o mundo, como uma fonte de energia que pode aumentar a segurança energética, reduzir as emissões veiculares e contribuir para o aumento das receitas do agronegócio. Essas afirmações, entretanto, são contestadas por muitos críticos. Alguns afirmam que o uso intensivo dos biocombustíveis vai aumentar a volatilidade dos preços de energia, dos preços de alimentos e mesmo do ciclo de vida da emissão dos gases de estufa. A Secretaria Geral da OCDE – Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico publicou um relatório sobre o assunto, em setembro de 2007, com o título “Biocombustíveis: Seria a cura pior que a doença?”. Diga-se, também, que a produção e transporte de biocombustíveis, hoje, dependem ainda totalmente da disponibilidade de derivados de petróleo, especialmente, do óleo diesel.

Além das controvérsias relacionadas ao uso de biocombustíveis, os preços do petróleo já superam os US$100 dólares por barril. O Brasil ainda importa cerca de 500 mil barris de petróleo por dia, impactando o balanço de pagamentos. Nesse cenário, o GNV, que já demonstrou dispor de tecnologias avançadas, compatíveis com uma segurança maior que os combustíveis líquidos, e uma experiência mundial de mais de 7 milhões de veículos, tem certamente um importante papel a desempenhar.

No ano passado, a comercialização de veículos de todos os tipos, no Brasil, atingiu o recorde de 3 milhões de unidades. No mundo todo existem cerca de 800 milhões de veículos. Só nos Estados Unidos, há cerca de 240 milhões. Alguma coisa vai acontecer.

Com a conclusão do gasoduto Vitória-Cabiúnas, a situação da oferta de gás na Região Sudeste deverá ser regularizada. Este ano será marcado pela chegada do GNL – Gás Natural Liquefeito, para atender tanto o Sudeste quanto o Nordeste do país. Hoje, está afastada a possibilidade de qualquer restrição de oferta de gás, dado que a produção de energia elétrica no país conta com reservas hídricas adequadas para atender ao suprimento até 2009. A partir do início do próximo ano, a Região Sudeste, maior consumidora de gás do país, contará também com a disponibilidade do gás natural liquefeito, em volume próximo ao que hoje importamos da Bolívia. E mais adiante, teremos ainda maior oferta de gás, resultante da produção na costa do Espírito Santo. Diante desse quadro, se faz necessário transmitir confiança ao mercado, dado que as perspectivas de suprimento do gás veicular são francamente positivas.

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