Demanda por GNL este ano pode superar produção


Apontado como solução para garantir a produção de energia nos próximos anos, o mercado internacional de gás natural liquefeito (GNL) está saturado, admite o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. Em palestra recente, ele apresentou dados que indicam que a demanda pelo combustível vai ultrapassar a capacidade de produção já este ano. "E há grandes incertezas sobre o andamento dos projetos em construção", afirmou.

A Petrobras já anunciou acordos para entrega de GNL com a Shell e outro produtor cujo nome não foi divulgado. A diretora de Gás e Energia da estatal, Graça Foster, disse que sua equipe busca novos supridores. O acordo com a Shell, por exemplo, garante a entrega de GNL por três anos. O volume e o preço não foram divulgados.

A companhia calcula que, em 2012, o GNL responderá por 23% do mercado brasileiro de gás, com um volume de 31,1 milhões de metros cúbicos por dia. O produto será destinado prioritariamente a usinas térmicas.

Atualmente, a empresa constrói dois terminais de recebimento do produto, no Rio e no Ceará, com capacidade de 21 milhões de metros cúbicos por dia. Um terceiro terminal está em análise, informou Graça, indicando que pode ser no Nordeste.

Gabrielli, porém, admite que os produtores de GNL têm dificuldades para expandir as operações. Com base em dados da consultoria britânica Wood Mackenzie, ele informou que a capacidade instalada de liquefação gira hoje em torno dos 170 milhões de toneladas por ano (ou cerca de 600 milhões de metros cúbicos por dia), equivalente à demanda atual.

Uma série de projetos em construção poderiam elevar a capacidade para perto dos 200 milhões de toneladas por ano ainda em 2008, atingindo 250 milhões de toneladas na virada da próxima década. O problema é que aumento de custos, entraves ambientais e regulatórios vêm provocando atrasos.

Gabrielli citou 11 projetos nessa situação - que, juntos, teriam capacidade para produzir 341,7 milhões de metros cúbicos por dia. O maior é o terminal Olokola LNG, na Nigéria, parceria entre a estatal petroleira local NNPC, Shell, Chevron e BG, com capacidade para liquefazer 84 milhões de metros cúbicos por dia. O país africano conta com mais dois projetos, da Brass LNG e da NLNG, de 68 milhões de m³.

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