Ontem, na Bolsa Mercantil de Nova York, o petróleo WTI para junho fechou a US$129,07, alta de US$2,02

O patamar histórico do preço do barril de petróleo, que já supera os US$ 129, começa a colocar em alerta quem consome o gás natural no Brasil.

Se hoje o preço médio por milhão de BTU está próximo dos US$ 7,3, no fim do próximo ano há quem já estime que o insumo tem tudo para alcançar os US$ 12. E este valor, projetado pela consultoria Gás Energy, inclui apenas a negociação entre o produtor e a distribuidora do insumo. Não contempla, portanto, o acréscimo para levar o gás até a indústria, o comércio e outros consumidores.

Ontem, na Bolsa Mercantil de Nova York, o petróleo WTI para junho fechou a US$ 129,07, alta de US$ 2,02.

Já na Bolsa Internacional do Petróleo de Londres, o barril do tipo Brent para julho foi vendido a US$ 127,84, incremento de US$ 2,78 no dia.

Mas a alta do petróleo não é a única responsável pela projeção de aumento de preços. Boa parte desse reajuste também vai decorrer da nova modelagem de venda que a Petrobras está implementado no Brasil junto às distribuidoras de gás natural. Em linhas gerais, a estatal tem fechado contratos que contemplam algumas diferentes cotações, que variam de acordo com o ritmo do fornecimento do insumo. Por exemplo, o produto com garantia firme tem um valor diferente do gás natural passível de interrupção no fornecimento.

"É mais uma pressão inflacionária propiciada pela alta do petróleo no mundo", afirma o economista Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). "Há um componente inflacionário de difícil redução de impacto na atividade industrial", completa Pedro Camarota, diretor de negócios da Gás Energy.

A percepção junto às companhias consumidoras de gás natural começa, inclusive, a ser constatado por uma pesquisa que a consultoria tem feito no país. O levantamento, que ainda colhe informações junto aos diversos tipos de consumidores, já mostra que a esmagadora maioria das empresas trabalha com um aumento substancial do preço de gás natural no Brasil. "São petroquímicas, químicas, ceramistas, entre outros, que apontam na direção de um aumento de preços", afirma Camarota.

A julgar pela fabricante americana de vidros Guardian, a sensação da pesquisa da Gás Energy está no caminho certo. Fabio Oliveira, gerente de finanças e relações externas da empresa no país, conta que será muito difícil imaginar que o milhão de BTU ficará nos US$ 7, enquanto que atualmente nos Estados Unidos o produto está em US$ 11,50. "Mas ainda acredito que no Brasil ficará no máximo em US$ 10", conta Oliveira.

Mesmo assim, destaca o executivo da Guardian, fatalmente haverá um repasse de preços. "Procura-se primeiro o aperto da margem, mas chega um momento em que não há saída. É preciso repassar", diz. Ricardo Lima, presidente-executivo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), conta que a modificação da metodologia de contratos da Petrobras pesa mais que a disparada do preço do petróleo mundo afora. E não tem dúvidas de que uma pressão inflacionária também será vista no setor de gás natural no país. O fato é que o petróleo não dá a menor indicação de que sofrerá alguma desvalorização nos próximos meses, o que só torna mais real a pressão sobre o gás natural no Brasil.

Com o contínuo aperto entre oferta e demanda no mundo, que hoje é de 86 milhões de barris por dia, e a desvalorização do dólar, o petróleo encontra terreno para manter o ritmo de alta. E como os ganhos parecem certos neste setor, os fundos de investimento continuam aportando recursos, já que a crise imobiliária americana ainda não passou totalmente. Ontem, o barril voltou a subir, depois que mais um fundo revelou que o petróleo chegará aos US$ 150 em Nova York neste ano. "Não há sinal de que haja uma redução de demanda e um aumento de oferta", diz Adriano Pires.

Voltar