Tecnologia vai flagrar abusos nas estradas

O estado pode apertar o cinto da fiscalização nas rodovias. Em tempo real, a placa do veículo é fotografada por um leitor automático e lançada, on-line, no banco de informações do governo. Dois segundos depois, o policial recebe todo o prontuário do carro. O agente pode verificar desde um simples atraso no pagamento de impostos e taxas, até informações investigativas, pelo cruzamento dos dados captados com o cadastro de automóveis roubados ou clonados. O equipamento permite ainda a emissão de autuação digital, na hora da infração, e tem radar para medição de velocidade e câmera com visualização de 360 graus.

Essas são as promessas de uma nova tecnologia testada ontem pelo secretário de Transporte e Obras Públicas, Fuad Noman, e pelo diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), José Élcio Monteze. A primeira demonstração ocorreu no posto da Polícia Militar Rodoviária, no quilômetro 17 da MG-010, e o sistema vai atuar nessa área durante toda a semana. Mas as multas e apreensões não vão ocorrer realmente porque o equipamento ainda precisa ser aferido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro) e passar por certificação do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran).

O secretário ressalta que, em princípio, a tecnologia vai ser empregada na Linha Verde, importante rota de saída da capital. "Ela exige uma operação de tráfego especial, por isso a escolhemos para o teste", justifica, lembrando que, como o equipamento é móvel, pode ser usado em outros pontos estratégicos. Ele diferencia o sistema dos demais: "Entregamos uma frota bem equipada de 53 carros à polícia. Já esse aparelho é mais sofisticado, próprio para locais específicos, onde precisamos fazer blitzes digitais, sem interromper o fluxo".

Atualmente, o aluguel de um carro com todos esses equipamentos gira entre R$ 20 mil e R$ 30 mil por mês. Uma das empresas que tem o programa o ofereceu à Secretaria de Transporte e Obras Públicas gratuitamente, para experimentação. Além de punir os inadimplentes, o sistema pode tornar mais eficiente o trabalho dos policiais rodoviários, selecionando os veículos que, de fato, devem ser parados em uma operação. O aparelho pode ser colocado a 500 metros dos profissionais participantes de uma blitz.

"O aumento da arrecadação não é o foco, mas sim testar se a tecnologia contribui com o aumento da segurança nas estradas. Ao detectarmos um carro roubado, poderemos estar mais próximos de uma quadrilha", destaca o diretor-geral do DER.

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