Futuro promete ser melhor para as oficinas instaladoras de GNV

Apesar da falta de incentivo do Governo ao uso do combustível, descoberta de campos gigantes de gás natural na Bacia de Santos pode dar novo impulso ao mercado.

Quando o assunto é gás natural veicular (GNV), o debate é caloroso. Elementos para isso não faltam. Nas oficinas a questão é: como sobreviver à queda de movimento? Fato é que desde 2005, o Governo Federal desestimula o uso do GNV sempre que surge uma ameaça de desabastecimento energético. No fim do ano passado, a falta de chuvas e o aumento de produção da indústria foram dois fatores que levaram o consumidor a pensar duas vezes antes de instalar um kit gás.

Na cidade de São Paulo, que possui os menores preços do metro cúbico de GNV no País, com média de R$ 1,736/m³, segundo pesquisa divulgada em abril pela ANP, a queda na procura de instalação do kit GNV foi de aproximadamente 35% nas oficinas convertedoras.

Esta é a situação na Fernandes e Filhos, instaladora localizada na Zona Leste de São Paulo. O engenheiro responsável da oficina, Fábio Beco, conta que já chegou a converter 140 veículos por mês, e que atualmente, faz em média 95 conversões mensais, graças aos taxistas e frotistas, principais clientes da oficina.

No mercado desde 1990, a Fernandes e Filhos tem reduzido custos para se manter competitiva no mercado. "Esta é uma preocupação geral do mercado, tanto que os próprios fabricantes de kits também baixaram os preços", afirma Beco, que contabiliza oito mecânicos especializados na instalação de kit GNV na oficina.

Já em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a situação também é de queda. Segundo a Ascongas (Associação de Instaladores de Gás Natural do RS), a quantidade de conversões entre março de 2007 e fevereiro de 2008 caiu de 720 para menos de 160. O presidente da associação e proprietário da oficina Carbuflex, de Canoas, na Grande Porto Alegre, Leandro Pacheco Sodré, afirma que o número de convertedoras existentes no Estado atualmente é de 36, quantidade que já chegou a 79.

Outro fator que conta negativamente para a região Sul é o preço do GNV na bomba. De acordo com a pesquisa da ANP, o preço médio do metro cúbico do combustível se iguala ao preço médio do litro do álcool e é apenas 30,5% mais barato que a gasolina, que tem custo médio de R$ 2,498 o litro. "Ainda assim, o uso do GNV traz até 60% de economia, em comparação com a gasolina, pois o GNV rende cerca de 30% a mais.", afirma Sodré.

Otimismo

Apesar de tudo, Beco, da Fernandes e Filhos, de São Paulo, aponta um lado positivo da queda de movimento. "Muitas oficinas fecharam e só ficaram as que têm qualidade", afirma o engenheiro. "Como a procura era grande, surgiram muitos aventureiros no mercado, que nem sempre zelavam pela qualidade do serviço, mas, sim, pelo preço", diz Beco, ao comentar ainda que o mercado está voltando lentamente ao que era antes.

Mais otimista está o presidente da Ascongas, Leandro Sodré. Segundo ele, 2009 será muito bom para o GNV na região Sul do País, com conseqüências também positivas para as demais praças. Isso porque as recentes descobertas de campos gigantes de gás natural na Bacia de Santos (Tupi, Júpiter e Carioca) podem colocar o Brasil como exportador de gás, tendo em vista os grandes volumes que estes campos podem produzir.

"Nossa expectativa é de redução no preço do GNV na bomba, para valores similares ao de São Paulo, em 2009, por conta do aumento da oferta do combustível", afirma Sodré. Enquanto isso não acontece, as oficinas do Rio Grande do Sul ampliam o leque de serviços oferecidos ao consumidor, para não fechar.

"Atualmente, a maioria das convertedoras são oficinas mecânicas que têm a instalação de GNV como produto agregado", diz Sodré. "Quem trabalha única e exclusivamente com GNV fecha", afirma ele ao revelar que a instaladora que possui, a Carbuflex, faz, em média, 15 conversões por mês, ante as 68 que realizava antigamente.


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