Gás natural para cogeração deve ser preservado em caso de racionalização de uso

Segundo Mario Veiga, eventual prioridade a geração térmica leva cogeradores a usar eletricidade da rede, o que torna pouco relevante ganho com manobra

O sócio da PSR Consultoria, Mário Veiga, avalia que o setor de cogeração a gás natural não deve ter o fornecimento de combustível suspenso em caso de racionalização do uso em momentos emergenciais, como o que se cogitou no ano passado, diante da falta de gás. Segundo ele, o corte do gás de uma planta de cogeração para beneficiar uma termelétrica convencional não resulta em benefícios satisfatórios, diante do ônus causado. Na ocasião, classificada pelo especialista como "apagás", o governo cogitou cortar o gás das indústrias e da área veicular para atender a uma eventual necessidade de geração térmica.

"Tirar o gás da cogeração é um tiro no pé", disse o consultor, durante sua apresentação n Fórum Cogen-SP/CanalEnergia - Oportunidades para Cogeração a Gás e Biomassa, realizado em 24 de julho, em São Paulo. Veiga apresentou uma simulação feita com base em dados de uma indústria que utiliza cerca de 6.200 metros cúbicos diários de gás natural para atender necessidade de vapor, eletricidade e água quente.

De acordo com os cálculos, se esse volume de gás fosse cortado dessa indústria e transferido para uma térmica a gás natural convencional a geração seria de 5 kWh por metro cúbico de gás, o que equivale a 1,25 MWmed por dia. No entanto, a indústria que teve o gás retirado passaria a consumir 1 MWmed por dia de eletricidade da rede.

Com isso, aponta, a produção líquida de energia para o setor seria de apenas 0,25 MWmed por dia, o que corresponde a aproximadamente 1 kWh por metro cúbico de gás natural. O montante, afirma Veiga, representa uma usina cinco vezes mais ineficiente do que uma usina de ciclo combinado. "Não existe fonte de energia mais ineficiente do que isso, é o equivalente a queimar lenha", comentou. Para ele, o gerenciamento do gás natural deve ser feito considerando todas as demandas, em vez de cortar um setor, beneficiando outros.

O especialista reiterou que a questão do abastecimento de gás natural é estrutural, que só será resolvida no longo prazo. A retirada de 2,3 mil MWmed de fornecimento de energia da Argentina, mais 200 MWmed de energia da Bolívia, e 3,5 mil MWmed das usinas do termo de compromisso entre a Agência Nacional de Energia Elétrica e a Petrobrás (valor para 2008) resultou, entre outros efeitos, na elevação do Preço de Liquidação de Diferenças no início do ano.

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