Chile busca opção de gás de vizinhos

Corte no fornecimento argentino leva país a diversificar fontes de energia

Depois de apostar fortemente no gás argentino, e se ver ameaçado por cortes no fornecimento pelo país vizinho a partir de 2004, o Chile diversificou suas fontes de energia. Nos últimos anos, o país vem substituindo o gás argentino pelo gás natural liquefeito (GNL), está correndo para aprovar projetos de hidrelétricas e tem retomado, inclusive, a construção de usinas a carvão. O ápice da crise energética no Chile foi no início deste ano, quando o governo admitiu que o país sofria risco de racionamento.

A recente escassez na oferta de energia foi agravada pela falta de chuvas. O ano de 2008 é o terceiro mais seco das últimas seis décadas no país, onde as hidrelétricas respondem por 53% da energia elétrica.

A crise, porém, teve início há quatro anos, quando a Argentina começou a restringir seu fornecimento de gás. Na década de 90, o Chile fez uma forte aposta no então preço baixo deste combustível, freando os investimentos em outros tipos de termelétricas, como as movidas a carvão. E, nos últimos dez anos, o país inaugurou apenas duas hidrelétricas.

O corte de gás pela Argentina pegou o país de surpresa. Desde então, o Chile tem buscado outras fontes de energia. Porém, não a tempo de evitar o risco de racionamento este ano, já que as novas usinas só entram em operação a partir de 2009.

Uma das saídas buscadas pelo Chile foi substituir o gás argentino por gás natural liquefeito (GNL). As estatais Enap e Codelco, em parcerias com empresas privadas, deram início à construção de dois terminais de GNL, nas regiões de Valparaíso e Antofagasta, que começarão a operar no ano que vem.

Em todo o país, se multiplicaram os investimentos privados em termelétricas a carvão. A projeção é que, em 2015, o carvão representará 30% do principal sistema elétrico do país, o SIC, o triplo da participação atual. E as empresas Endesa y Colbún e HidroAysén já deram início aos trâmites ambientais para construir cinco hidrelétricas na Região de Aisén.

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