Com fornecimento normalizado, país tem gás sobrando

Petrobras vai negociar contratos à vista para vender a empresas o excedente, que chega a 1 milhão de m³

Restabelecidas as importações da Bolívia, o Brasil tem hoje um excedente de 1 milhão de metros cúbicos de gás natural por dia, informou a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster. Segundo ela, a sobra deve se repetir sempre que as térmicas não estiverem operando a plena carga. Por isso, a companhia vai negociar com as distribuidoras contratos spot (à vista) de gás, com o objetivo de vender o volume excedente.


A situação é bem diferente da do início de setembro, quando a interrupção do fluxo em um gasoduto boliviano levou a empresa a desligar térmicas e reduzir o consumo em suas refinarias para evitar a redução das entregas ao mercado consumidor. Graças informou que em 15/09/08 o volume boliviano foi completamente restabelecido, o que garantiu à companhia um novo recorde de geração de energia: 3.312 megawatts, com um consumo de 18,36 milhões de metros cúbicos de gás pelas térmicas.

Os primeiros contratos spot estão em negociação com a Comgás. A idéia é encontrar indústrias que possam usar gás apenas nos períodos em que os reservatórios das hidrelétricas estejam cheios, substituindo o produto por outros combustíveis quando as térmicas voltarem a operar. “Já há volume disponível em vários pontos da rede”, disse a diretora.

Em seu planejamento estratégico, a Petrobras conta com a geração térmica 24 horas por dia, 365 dias por ano, disse Graças. “Mas isso não vai acontecer, então precisamos encontrar novos mercados para o gás para os períodos em que as térmicas estiverem paradas”, disse. Em 2012, a companhia espera entregar ao mercado 134 milhões de metros cúbicos por dia, segundo o planejamento atual. Os números, porém, podem ser alterados na nova versão do plano, que será divulgado em outubro.

Graças admitiu atraso na conclusão das obras do Plano de Antecipação da Oferta de Gás (Plangás) previstas para este ano. Segundo ela, a companhia vai fechar o ano colocando no mercado pouco menos de 30 milhões de metros cúbicos por dia de gás nacional, ante 40 milhões previstos no plano. A executiva frisou, porém, que o volume previsto inicialmente será atingido no primeiro trimestre de 2009.


Em entrevista após apresentação na feira Rio Oil & Gas, Graças voltou a elogiar o governo boliviano pelo cumprimento do contrato de exportação para o Brasil. “(O corte do fornecimento) era algo que eu, pessoalmente, imaginava que nunca aconteceria, pela forma responsável com que o governo boliviano se relaciona com o governo brasileiro”, disse, lembrando que os cortes foram provocados por manifestantes, sem ingerência do governo.


Segundo a diretora, o Brasil continuará comprando gás da Bolívia até 2020, quando vence o contrato, mesmo que descobertas do pré-sal comprovem grande potencial para a produção de gás natural. Para ela, parte da produção da Bacia de Santos pode ser exportada, caso seja mais benéfico para o país.

A executiva defendeu a produção de gás natural liquefeito (GNL) nas plataformas do pré-sal, que garantiriam maior flexibilidade para a venda do combustível. “As exportações podem minimizar o preço de colocação de parte do gás no mercado interno”.

Fonte: Nicola Pamplona, “O Estado de S. Paulo”

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