Os aterros como usinas de energia

Governo do Rio incentiva projetos de utilização do lixo. A economia e o meio ambiente lucram

Pesquisas promovidas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sobre o efeito estufa revelam que a produção de lixo ocupa o segundo lugar, com 23%, na tabela de vilões, sendo superado apenas pela queima de combustíveis por automóveis de passeio, com 24%. Entretanto, ações começam a ser desenvolvidas para mudar este quadro e fazer do lixo uma rica e farta fonte de energia.

O Brasil produz diariamente cerca de 150 mil toneladas de lixo. De acordo com a secretária do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Marilene Ramos, o Estado, sozinho, é atualmente responsável por cerca de 15,6 mil toneladas de detritos geradas a cada dia, o equivalente à produção de pouco mais de um quilo de lixo por habitante.

Ao todo, são os 11 os aterros licenciados no Rio de Janeiro, que recebem resíduos de 21 municípios. Há ainda outras quatro áreas controladas, nove sem licença para funcionamento e mais 46 lixões operados por diferentes prefeituras.

Especulações sobre o Plano Decenal 2008/2017 da Empresa de Pesquisa Energética, que será lançado no ano que vem, dão conta que somente o lixo produzido pelas 300 maiores cidades brasileiras poderia ser utilizado para produzir 15% da energia elétrica total consumida em todo o país.


Em alguns aterros sanitários são usados sistemas de dutos para a coleta de biogás, que possui cerca de 50% a 70% de metano (CH4), gás altamente prejudicial ao meio ambiente e ao mesmo tempo muito calórico. Nestes casos, todo o aterro recebe a instalação de uma malha de canos que vai capturar o biogás produzido pela ferrnentação do lixo e lançá-lo, posteriormente, a um queimador, onde o metano será submetido a uma temperatura de no mínimo 500 graus e, assim, ser transformado em moléculas de gás carbônico (CO2). Em seguida ele é liberado na atmosfera.


Há também o processo de incineração, que corresponde à queima total do lixo, de forma que o processo seja aproveitado para a geração de energia, assim como ocorre na queima do metano.


No Estado do Rio de Janeiro, a secretária estadual de Ambiente destaca que programas de aproveitamento dos resíduos já estão sendo implantadas em alguns aterros.


"Em Nova Iguaçu, por exemplo, o aterro tem captação de metano suficiente para gerar energia e créditos de carbono, que são vendidos ao governo da Holanda", diz Marilene Ramos. "O aterro de Gramacho, em Duque de Caxias, e o de o Itaoca, em São Gonçalo, vão iniciar a exploração do CH4. E outros quatro aterros consorciados que o Estado apóia (Vassouras, Paracambi, Teresópolis e Quissamã) também deverão ter projetos de geração energética."


Ela explica que o objetivo do Estado não é pagar pela construção do aterro, mas incentivar de forma financeira os municípios a darem o melhor destino ao lixo produzido, seja com construção de aterros sanitários com sistemas de captação de gás ou com estruturas para a incineração.


Fonte: Jornal do Brasil, 26/09/08.

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