Gás natural do pré-sal: onde e como utilizar?

Muito tem se falado no petróleo do pré-sal, mas quase nada em relação à destinação do gás natural que será extraído destes campos. Neste sentido, é bom deixar claro que, em relação ao pré-sal - tanto para o petróleo como para o gás natural - não há nenhuma informação segura a respeito dos volumes existentes. A própria Petrobras no Fato Relevante sobre o campo de Tupi (08/11/07), fala em "estimativa" de volume recuperável. Assim sendo, qualquer outra afirmação neste sentido, antes que sejam feitos todos os testes necessários, não passa de mera especulação de quem não conhece o assunto.

No que se refere ao gás natural da camada do pré-sal, há somente dois panoramas possíveis, a saber: 1º) Pouca existência de gás, que neste caso seria utilizado nas próprias plataformas para geração de energia e reinjetado para auxiliar na extração do petróleo; e 2º) Volume dos depósitos gigantesco, caso em que o consumo final deverá ser em outros locais.

No caso da segunda hipótese, até o presente momento, temos somente duas opções viáveis, visto que transportar o gás natural através de gasodutos está totalmente fora de cogitação, em função da distância da costa (quase trezentos quilômetros), e principalmente devido às altas pressões, que podem variar de 600 a quase 900 quilos por centímetro quadrado (kg/cm2), o que esmagariam as tubulações.

A primeira opção seria utilizar o gás natural retirado para geração de energia em navios do tipo FPGP - Floating Power Generation Plant - já utilizados com sucesso em alguns países. Esses navios ficariam ancorados próximos às principais plataformas. A energia gerada seria transportada por meio de cabos submarinos até o continente, onde seriam conectados às linhas de transmissão.A segunda opção, ainda pouco difundida, mas que é viável do ponto de vista técnico e econômico, seria levar o gás natural para um navio do tipo FSRU (Floating Storage and Regasification Unit), como o Golar Spirit, que já está ancorado em terminal próprio em Pecém, no Ceará, e que tem capacidade para regaseificar sete milhões de metros cúbicos por dia.

O grande desafio neste caso seria como transformar o gás natural na forma líquida em pleno alto-mar, já que para isso o gás necessita ser comprimido em 600 vezes, numa temperatura inferior a 160 º para que se consiga sua liquefação.

É importante ressaltar que enquanto as grandes empresas do setor de petróleo "quebravam a cabeça", a Petrobras foi pioneira na extração de petróleo em águas profundas. Assim sendo, não temos a menor dúvida que, em se confirmando os bilhões de barris de petróleo e de outros tantos bilhões de metros cúbicos de gás natural, a estatal e suas parceiras conseguirão vencer mais esse gigantesco desafio.

No entanto, o panorama agora é bastante diferente daquele do início da década de 70. Assim sendo, é importante ter presente que em função dos desafios técnicos e dos enormes investimentos, a Petrobras sozinha não terá condições de levar adiante tal empreendimento; estamos falando de bilhões e talvez trilhões de dólares.

Dessa forma, é chegada a hora dos defensores da velha e ultrapassada política estatizante deixarem de lado a xenofobia e entenderem de uma vez por todas que, petróleo bom é aquele que sai do poço para ser refinado e que gás natural bom é aquele que corre pelos gasodutos até as residências, industrias e termelétricas

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