Conversões para GNV caem no interior de São Paulo

Apontado como uma solução para os gastos dos motoristas com combustíveis, o Gás Natural Veicular (GNV) passa por um momento de instabilidade em Ribeirão Preto. Segundo levantamento em oficinas mecânicas especializadas da cidade, a conversão de carros para o gás caiu até 60% nos oito primeiros meses deste ano. Para os instaladores, a crise de fornecimento que afetou o mercado no final do ano passado e a concorrência do álcool tiveram impacto direto no mercado de GNV. “Esse é um mercado instável, principalmente em nossa região, onde o preço do álcool oscila muito”, disse Rovner Roberto Cieni, dono de uma oficina mecânica que faz a conversão de carros para o GNV.

Segundo o comerciante, que fazia uma conversão por dia no ano passado, e que este ano faz, em média, 15 conversões por mês, o receio em relação ao gás também aumentou por causa das notícias de falta do combustível. A crise de fornecimento do gás começou em outubro do ano passado, quando a Petrobras cortou o fornecimento para algumas indústrias e postos de combustíveis no Rio de Janeiro para que usinas termelétricas não ficassem desabastecidas. Na época, o governo desaconselhou a conversão.

Na oficina do instalador Adolfo Giron, a pior baixa aconteceu nesse período. A queda foi de 80% de outubro a dezembro do ano passado. “Com essa crise, que nem chegou a afetar realmente nosso Estado, as pessoas ficaram com medo. Neste ano, registrei uma queda menos brusca, de 25%.” Segundo Giron, a média de conversões em 2008 está em 14 carros por mês. Antes da crise, eram 40.

Para o engenheiro mecânico José de Fraga, as conversões oscilaram 50% de janeiro a agosto deste ano. “O mercado passa por um desaquecimento. Mas, acredito que, com a alta no preço do álcool, que não abaixou mais, ainda vai haver um incremento no mercado do GNV.”

Quem trocou não se arrepende

Apesar do desinteresse nas conversões neste ano, os motoristas que já fizeram a adaptação do motor do carro para o GNV não se arrependem. “Mudei no começo do ano passado, quando estava aquela febre de GNV. Como viajo muito, compensou bastante. Faço muita economia com o gás”, disse o representante comercial Nilton Florrres, 49 anos. Segundo Adolfo Giron, dono de uma oficina mecânica de conversão, a maioria dos clientes que procuram pelo gás usam muito o veículo. “A maioria são viajantes, pessoas que trabalham com o carro e querem economia. Muitas empresas fazem a conversão de seus carros também”, disse.

Por causa dos motoristas que já fizeram a conversão de seus veículos, os postos que vendem GNV não perdem o movimento, mesmo com a baixa nas conversões. “Mesmo com a queda, a gente continua vendendo o combustível, pois quem já converteu tem de abastecer”, disse Tiago Zuqueto, gerente de um posto de combustíveis que vende GNV.

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