Governo de São Paulo critica destinação do gás em caso de crise

Zevi Kann criticou a falta de regulamentação para a arbitragem sobre a destinação do insumo em casos de crise, que é definida apenas pela Petrobras.

O atual modelo de contingenciamento no caso de problemas no fornecimento do gás natural para o Estado de São Paulo é mais uma dificuldade que o estado vive para o desenvolvimento industrial da região, além da demanda de 4 a 5 milhões de m³/dia a mais do que receberá para os próximos anos, até 2012. Essa é a posição de Zevi Kann, diretor da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Asersp). Ele criticou a falta de regulamentação para a arbitragem sobre a destinação do insumo em casos de crise, que é definida apenas pela Petrobras, como a ocorrida no início de setembro, na Bolívia, que forçou o corte, por algumas horas, de quase 50% do gás enviado pelo gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol).

O executivo defende que os diversos setores deveriam fazer parte de uma comissão para planejar um contingenciamento mais amplo, que entraria em vigor quando houvesse reduções de oferta de gás a partir de sete milhões de m³/dia. "Até esse nível ainda é administrável, mais do que isso é necessário o corte do fornecimento a indústrias e uso veicular", afirmou Kann.

A alta presença de termelétricas na matriz energética e a destinação de gás natural para o seu funcionamento é um dos alvos de críticas, pois essas centrais utilizam um volume elevado do insumo, que prejudica o estado, que vive atualmente situação de escassez de gás, mesmo com o Gasbol enviando toda sua capacidade ao Brasil desde o início de 2008.

Para o coordenador de energia da Secretaria de Saneamento e Energia de São Paulo, Jean Negri, o atual consumo industrial de gás natural no estado está em queda por falta do combustível ao mercado. Segundo ele são apenas 1,3 mil consumidores, que respondem por ínfimo 1% do total das indústrias no estado. Dentre os maiores consumidores, estão os setores de cerâmica, com 50% de toda a energia que consome, o químico, com 40% e o têxtil, com 30%, e por essa dependência ao GN, são sensíveis a qualquer crise de abastecimento.

Kann disse que a instabilidade do dólar nas últimas semanas fez o órgão regulador acender a luz amarela quanto ao valor do insumo, que é determinado com atraso de 6 meses, e cuja tarifa é reajustada anualmente. "Até agora não identificamos nenhuma perda considerável nas margens das distribuidoras, mas se a situação ficar extremamente desequilibrada com o dólar alto e o preço muito diferente do praticado na tarifa, é possível uma revisão extraordinária", afirmou.

Fonte: DCI/Gás Brasil/Sindcomb Notícias, out/08.

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