O impacto do GNV na economia nacional

Passada a fase em que as notícias sobre o gás natural estavam ligadas sempre à possível falta do produto, e após os necessários ajustes elaborados pelos agentes envolvidos na área de energia para manter o equilíbrio da oferta e da demanda, os atuais resultados mostram o acerto das medidas tomadas e indicam que o mercado está se ajustando e iniciando novamente um ciclo sustentável de crescimento.

Analisando a média diária, de 59,60 milhões de m³, de utilização do gás natural nos diversos segmentos no Brasil nos nove primeiros meses de 2008, observa-se um crescimento de 21,19% em relação à média diária do ano de 2007, que foi de 49,18 milhões de m³. O grande destaque é o aumento de 127,63% na utilização do gás natural para geração elétrica, pois a média desse volume passou de 6,55 milhões de m³/dia, em 2007, para 14,91 milhões de m³/dia, nos nove primeiros meses de 2008, com aumento de 8,36 milhões de m³/dia de gás natural.

O mercado industrial aumentou o consumo de gás natural em 6,52%, passando do volume médio de 32,21 milhões de m³/dia, em 2007, para 34,31 milhões de m³/dia, em 2008, com aumento de 2,10 milhões de m³/dia.

Neste mesmo período, o segmento automotivo apresentou redução de 4,56%, conseqüência direta da fase em que se falava que o gás natural veicular (GNV) não deveria ser utilizado. Passamos do volume médio de 7,01 milhões de m³/dia, em 2007, para 6,69 milhões de m³/dia, em 2008, com redução de 320 mil m³/dia. Ou seja, o mercado recebeu um adicional de 10,46 milhões de m³/dia, em média, em 2008, para suprir o segmento industrial e de geração elétrica. E não foi a referida retração que equilibrou a oferta e a demanda do gás natural no País.

O que realmente resolveu esse impasse foi a acertada decisão dos agentes envolvidos da área de energia de antecipar investimentos aumentando a produção do gás natural nacional, assim como a implementação de uma melhor logística de suprimento desse produto. Esses dados são importantes para demonstrar que o segmento automotivo não é nem será o vilão do mercado do gás no Brasil.

O País possui hoje 1.572.648 veículos que utilizam o GNV como seu produto preferencial, cabendo ao consumidor a decisão de uso desse produto, considerando que os veículos também podem utilizar gasolina ou álcool. O consumidor toma essa decisão ao verificar que o GNV é mais econômico.

Desde o início da comercialização do GNV no Brasil, em 1991, este mercado apresentou oscilação de crescimento nas vendas, em razão da maior ou menor economia do GNV em relação aos seus concorrentes. Essa economia é hoje da ordem de 45%.

Com os ajustes de preços ocorridos em razão do cenário mundial, alguns setores da sociedade brasileira, consumidores atuais e mesmo futuros usuários do GNV ficaram com a percepção de que essa economia não existe mais. Mas a vantagem é visível: com 1 m³ de gás é possível rodar, em média, 13 quilômetros; com 1 litro de gasolina se roda, em média, 10 quilômetros; e com 1 litro de álcool, 7 quilômetros.

Considerando os preços médios dos combustíveis no Brasil publicados pela Agência Nacional do Petróleo e coletados no período de 9 a 15 de novembro de 2008 - ou seja, gasolina a R$ 2,510/litro, o álcool a R$ 1,510/litro e o GNV a R$ 1,665/m³ - e considerando um consumidor que roda com seu veículo em média 70 km/dia, a economia por ano é de R$ 2.653 em combustível ao utilizar o GNV em vez da gasolina ou do álcool.

Considerando esta economia média de R$ 2.653/ano por veículo e a quantidade de 1.572.648 veículos que utilizam o GNV, temos o total estimado de R$ 4,2 bilhões por ano que estão sendo injetados no mercado, gerando empregos e receita de impostos ao governo e investimentos no Brasil.

Para dimensionarmos a importância deste valor, comparamos com o Programa Bolsa-Família, que tem para 2008 a destinação de R$ 10,89 bilhões. A utilização do GNV, que permite economia ao consumidor, injeta no mercado um valor aproximado equivalente a 39% do Programa Bolsa-Família, beneficiando milhões de brasileiros, usuários ou não do combustível. No programa do GNV todos ganham: o meio ambiente e a sociedade.

*Francisco Barros é conselheiro de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e Associação Comercial do Rio de Janeiro

Fonte: “O Estado de S. Paulo”, 27/11/08.

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