Montadoras jogam suas fichas no carro movido a energia elétrica

/Valor Econômico/

Em meio a maior crise da sua história, a indústria automobilística americana deu ontem (12) o pontapé para fazer o consumidor americano andar em carros elétricos daqui a um ano. O presidente da General Motors, Rick Wagoner, anunciou ontem, no segundo dia de apresentação do salão de Detroit, a construção da primeira fábrica de baterias para veículos no Estado de Michigan, sede da companhia nos Estados Unidos.

As células das baterias da GM serão fornecidas pela LG Chem, do grupo coreano de produtos eletrônicos. O primeiro carro elétrico do mercado que a GM quer lançar no final de 2010 terá autonomia de apenas 64 quilômetros, depois de uma carga de três horas em uma tomada de 240 volts.

Jon Lauckner, vice-presidente da companhia responsável pelo projeto desse carro, chamado Volt, disse ao Valor que 60 quilômetros é a média que o americano percorre diariamente.

O preço do veículo é ainda uma incógnita. Mas a indústria automobilística já conta com os bônus prometidos pelo governo. Segundo Lauckner, o consumidor que comprar um carro elétrico vai ganhar um desconto no Imposto de Renda que variará de US$ 4 mil a US$ 7,5 mil. Ele diz que no caso do Volt, o abatimento chegará a US$ 7,5 mil.

Além da fábrica de baterias, Wagoner também anunciou ontem a construção do maior laboratório de pesquisa do produto do mundo, que também será construído no estado de Michigan. A instalação terá 3,25 mil metros quadrados. Além disso, a GM também fechou um acordo com a tradicional Universidade de Michigan para a criação de um curso específico de engenharia em baterias.

A indústria automobilística está, portanto, criando até uma nova especialização profissional para fazer o carro que não depende de gasolina funcionar. Mas está numa encruzilhada porque o interesse pelo carro movido a baterias cai à medida que o preço do petróleo cai. "Se o valor do barril continuar baixo será um problema para o projeto do carro elétrico", afirma Lauckner.

Mas como essa indústria também tem um compromisso com o governo de direcionar a mobilidade para produtos menos agressivos ao meio ambiente, todos crêem estar no caminho certo.

Lauckner lembra, porém, que há um longo caminho a percorrer. O carro elétrico será lançado num grau de desenvolvimento tecnológico muito abaixo dos modelos que hoje usam combustível fóssil. Falta ainda reduzir preço e peso das baterias, o que só pode vir por meio da produção em alta escala, como nos aconteceu com notebooks, compara Lauckner.

"Precisaremos dos mesmos cem anos que levamos para desenvolver o carro de hoje para ter um no mesmo nível movido à eletricidade", afirma o executivo.

Mas, na primeira fase - entre 2010 e 2011 - os carros movidos a eletricidade serão uma novidade apenas para americanos, japoneses e parte dos europeus experimentarem. Os projetos desses veículos são sofisticados. Por isso, países emergentes como o Brasil estão excluídos. Segundo Jim Press, presidente mundial da Chrysler, em algum momento os países emergentes também receberão carros elétricos. "Não podemos deixá-los de fora porque é neles que o mercado cresce", disse.

A Toyota apresentou ontem, no salão do automóvel, a terceira geração do Prius, o carro híbrido (movido a gasolina e eletricidade) que se tornou a vedete desse segmento. O Prius foi lançado em 2000 e 1,4 milhão de unidades já foram vendidas em todo o mundo. O Prius representou metade das vendas de veículos híbridos no ano passado.

Segundo pesquisa da consultoria J.D.Power, nos Estados Unidos 62% dos consumidores de novos veículos estão considerando a compra de um modelo híbrido. No ano passado, 50% dos entrevistados haviam citado a intenção de ter como próximo automóvel um que funciona também com baterias. (Valor Econômico)

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