Abastecimento de gás continua comprometido na Europa

Dezenas de milhares de famílias se encontram "sem calefação nem gás para cozinhar para seus filhos" nos países do leste europeu mais afetados pela falta de abastecimento de gás russo através do território ucraniano, que continua paralisado devido à disputa entre Rússia e Ucrânia acerca do preço do metano. A Comissão da União Europeia advertiu que recomendará às empresas energéticas europeias que acionem por vias legais e tomem uma ação conjunta se o acordo entre Rússia e Ucrânia pela retomada do abastecimento de gás não for posto em prática "com urgência".

A paralisação continuou com o surgimento de novas divergências entre Moscou e Kiev a respeito do preço e do trânsito do gás através do território ucraniano, o que no último dia 1º culminou no corte total da provisão de metano para a Europa.

Nos países mais castigados pela disputa, há dezenas de milhares de "famílias sem calefação e sem gás para cozinhar para as crianças", informou Ferrán Tarradellas, porta-voz do comissário de Energia da União Europeia, Andris Piebalgs. "São 50 mil só na Bulgária", disse o porta-voz, que explicou que os países cujo abastecimento foi mais comprometido não são os países-membros da UE, como a Bulgária e a Eslováquia, mas os países balcânicos como Sérvia e Montenegro.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, renovou as críticas a Moscou e a Kiev pela insistência em não restabelecer a distribuição do gás mesmo com a assinatura de um acordo entre os dois países.

A empresa ucraniana Naftogaz divulgou que recebeu um pedido da russa Gazprom um pedido para bombear 98,8 milhões de metros cúbicos de metano para a Europa. O pedido especificava que 62,7 milhões de metros cúbicos deveriam ser bombeados através da estação de Orlovka, na fronteira com a Romênia, enquanto 13,9 milhões de metros cúbicos deveriam ser distribuídos via Moldávia e outros 22,2, através da estação de Uzhgorod, na fronteira com a Eslováquia.

A Naftogaz propôs usar as estações de Pisarevka e Valiuki, por onde deveriam transitar 62,2 e 36,6 milhões de metros cúbicos de metano, respectivamente. A Ucrânia insiste em designar as estações a serem usadas argumentando que, de outra forma, várias regiões do país poderiam ficar sem gás.

Na tarde desta quarta-feira (14), a Naftogaz pediu a Gazprom que lhe ceda a quantidade necessária de "gás técnico", necessário para fazer pressão nos gasodutos e assegurar a distribuição do metano.

A premier ucraniana, Julia Timoshenko, pediu um encontro com seu colega russo, Vladimir Putin, e considerou que as condições impostas pela Gazprom, que quer estipular o preço do gás em US$ 450 por mil metros cúbicos, são "inaceitáveis" para seu país.

No total, "desde 1º de janeiro, a Gazprom perdeu US$ 1,1 bilhão em lucros derivados das exportações com base nos contratos para a distribuição de gás para a Europa", informou o presidente russo, Dmitri Medvedev.

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