Região Sul não deve reduzir tarifas de gás

Ao contrário dos estados do Nordeste e do Rio de Janeiro, que irão reduzir o preço do gás natural a partir de fevereiro, as concessionárias da região Sul estão mais cautelosas. As três distribuidoras estaduais informaram que não irão diminuir as tarifas cobradas dos consumidores, apesar da queda de 11,5% no valor do gás boliviano vendido pela Petrobras às três concessionárias.

A Sulgás já definiu que não irá reduzir a conta do gás para os seus consumidores para poder recompor as margens afetadas pelo câmbio no quarto trimestre de 2008. Inclusive, existe a possibilidade de um aumento das tarifas, questão em análise na Secretaria de Infraestrutura e Logística do governo gaúcho. O fator de preocupação das companhias é o comportamento do câmbio. Como o gás boliviano é pago à Petrobras ao dólar do dia, uma forte valorização da moeda americana pode anular, na conversão em reais, a redução obtida neste início do ano no preço em dólar do insumo.

A Compagás, concessionária do Paraná, informou que irá aguardar até o início de fevereiro para definir a política de tarifas neste começo de ano. A ideia é receber da Petrobras a fatura referente ao mês de janeiro para saber exatamente o novo preço do gás importado. Mudanças nas tarifas poderão ocorrer apenas em março. Na SCGás, que atende ao mercado catarinense, o cenário é mais complexo. As chuvas que atingiram o Estado no final de 2008 destruíram parte do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), interrompendo por 20 dias o fornecimento de gás. Além disso, as chuvas levaram à suspensão da produção de diversos clientes industriais, o principal mercado da companhia. "Diante da situação, concedemos um adiamento de 50 dias para que os consumidores paguem a conta de novembro o que nos gerou um custo de R$ 23 milhões, porque a Petrobras não nos concedeu a mesma flexibilidade, apesar de termos solicitado", explica o diretor-presidente da SCGás, Ivan Ranzolin.

A interrupção no fornecimento de gás em função dos danos ao gasoduto impediu que a companhia aplicasse um aumento médio de 10,4% nas tarifas em dezembro. "Sem repassarmos o aumento e sem recebermos a fatura de novembro, nossa margem zerou e ficamos sem caixa", afirma o dirigente. Nesse sentido, Ranzolin relata que as tarifas serão mantidas nos valores atuais provavelmente até abril ou maio deste ano. "Quando recuperarmos as margens, poderemos reduzir a conta de gás. Mas isso dependerá dos resultados dos estudos sobre a situação macroeconômica do País e de uma avaliação interna sobre as nossas margens e a disponibilidade de caixa", diz.

A Gasmig, concessionária de Minas Gerais, foi a única que anunciou aumento no dia 1 de janeiro deste ano, reajustando em 2,9% o produto fornecido ao setor industrial e em 2,1% para o gás natural veicular (GNV). O diretor financeiro da companhia, João Senra Vilhena, justificou o incremento sob o argumento de que as tarifas cobradas pela companhia estavam defasadas.

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