Fornecimento de GNV reduzido

Se todos concordam que o Brasil tem muito trabalho pela frente até a Copa de 2014, talvez um tema seja o que mais preocupa os especialistas e o que mais exige das autoridades: o setor de energia.

Na noite de terça-feira (30), para surpresa geral, veio a notícia: não existe à venda gás natural para todo mundo que precisa comprar. E gás é o que não pode faltar em um país que pretende crescer muito nos próximos anos.

A Petrobras reduziu o fornecimento para duas grandes distribuidoras: uma no Rio de Janeiro e outra em São Paulo. A medida prejudica indústrias e motoristas que têm carro a gás.

A notícia surpreendeu os taxistas. Um motorista tentou colocar gás no carro em quatro postos na rodoviária, mas só achou o combustível em um posto. A grande maioria dos 30 mil táxis que rodam na cidade do Rio de Janeiro utiliza o gás como combustível principal.

“Antes do gás, eu gastava uma faixa de R$ 70 ou R$ 80 por dia. Hoje eu gasto entre R$ 25 e R$ 30 por dia”, conta o taxista Elson Gentil.

O movimento nos postos está normal, mas a CEG, companhia que distribui gás para o Rio de Janeiro, disse que teve que cortar o abastecimento para 89 postos da Região Metropolitana do Rio. Isso representa 20% de todos os postos que trabalham com o GNV no estado.

O fornecimento para grandes indústrias também foi diminuído – isso para impedir que houvesse um corte de fornecimento para o comércio e residências. Em nota, a CEG responsabilizou a Petrobras pelo problema. Disse que, na noite de terça-feira (30), foi informada pela empresa que haveria um corte de 17% no total de gás fornecido.

“A Petrobras teve um plano de participação do uso do gás do uso de gás natural. O estado investiu, a CEG investiu, os clientes investiram, e agora estão tendo que reduzir o consumo de gás natural’, afirmou o gerente de grandes clientes da CEG, Hugo Aguiar.

“Nosso governo vai adotar duas medidas. Primeiro, a medida judicial. Você reduz a produção do estado, você reduz imposto gerado, você corre o risco de perder postos de trabalho”, declarou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Júlio Bueno.

Também em nota, a Petrobras informou que se viu obrigada a limitar temporariamente a entrega de gás às distribuidoras e que empresas distribuidoras do Rio de Janeiro e de São Paulo vinham retirando há mais de um ano quantidades do produto superiores às que tinham sido contratadas.

A Petrobras disse que a medida foi tomada para atender a um acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que a obriga a garantir a geração de energia elétrica das usinas a gás natural. A Petrobras disse ainda que as distribuidoras tinham sido alertadas há duas semanas da redução do fornecimento. O operador nacional do sistema informou que determinou o funcionamento de usinas térmicas por causa da escassez de água no período da seca.

Pelo menos, oito grandes indústrias do estado do Rio foram prejudicadas. A Companhia Siderúrgica Nacional teve um corte de 20% no fornecimento. A indústria química Bayer informou que recebeu na terça-feira apenas 10% da quantidade de gás que costuma comprar diariamente.

SP: preocupação é com corte do gás para pólo ceramista

Em São Paulo, a maior fornecedora de gás se manifestou na noite de ontem. A Comgás, que é a principal distribuidora do estado paulista, disse que o abastecimento de casas, de postos de combustíveis e do comércio não vai ser afetado. A empresa atribuiu o problema à malha de transporte do combustível. Ela não deu um prazo, mas disse que já pensa em uma adequação desta distribuição.

Na manhã de hoje, em um posto da Zona Sul de São Paulo, o movimento era considerado normal. A equipe de reportagem do Bom Dia Brasil conversou com alguns motoristas e eles disseram quem nem sabiam dessa alteração toda.

A Comgás informou ainda que firmou um acordo com sete grandes indústrias e elas vão passar a utilizar o óleo combustível. Como o óleo é mais caro do que o gás, o acordo prevê que a Petrobras pague por esta diferença.

A preocupação no estado de São Paulo é com o pólo ceramista, no interior, que é 100% movido a gás. As empresas mudaram a fonte de energia para gás com o incentivo do governo e dizem que agora não têm como mudar novamente para óleo ou eletricidade a curto prazo.


RJ: corte no abastecimento faz posto 24 horas fechar

O governo entrou na Justiça para tentar reestabelecer o abastecimento. Durante a madrugada, conseguiu uma liminar que foi favorável a este pedido, que obriga a Petrobras a reestabelecer o fornecimento nos mesmos níveis do que estava sendo feito nos últimos 12 meses. De acordo com a liminar, o fornecimento deve voltar ao normal quatro horas após a empresa estatal ser notificada.

A assessoria de imprensa da Patrobras informou agora há pouco que a empresa ainda não recebeu a notificação desta decisão e, portanto, ainda não tem nenhuma decisão de voltar a reestabelecer este fornecimento.

Enquanto isso, a situação é como a que se viu em um posto da região central da cidade do Rio de Janeiro, que estava fechado. O posto funcionava 24 horas, fica bem ao lado da sede da CEG - a companhia que fornece gás para todo o estado do Rio -, e não está funcionando. Muitos motoristas chegaram por lá, principalmente taxistas, e recebiam a informação de que hoje não vão poder abastecer.

(http://bomdiabrasil.globo.com/)

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