Reajuste no preço do Gás

Para motoristas e empresários, a Petrobras avisa: vem aí um aumento no preço do gás.


“Ele custa um valor que não é exatamente um valor real. O custo de produção do gás tem sido crescente. Então, esse custo de produção precisa ser remunerado para que haja uma racionalidade econômica no aumento de produção do gás”, afirmou a diretora de gás e energia da Petrobras, Maria das Graças Foster.

Prejuízo, alguns empresários afirmam que vão ter de todo jeito, como é o caso de quem tem negócios no setor de cerâmicas. Em Limeira (SP), uma cerâmica faz parte do segundo maior pólo industrial desse setor no país.

Essa cerâmica foi à Limeira exatamente para aproveitar o fornecimento de gás. Em maio deste ano, a empresa investiu R$ 3 milhões em uma nova linha de produção, com 80 funcionários.

Por enquanto, o trabalho é normal na cerâmica, mas a empresa recebeu uma notificação da Comgás para diminuir o consumo de energia em 15 mil metros cúbicos por dia.

“Os reflexos imediatos são a redução do nosso faturamento e o conseqüente prejuízo, da ordem de R$ 2 milhões por mês, sem contar que teremos que efetuar demissões caso isso se efetive realmente. Não temos condições de cumprir totalmente o que nos foi solicitado, por conta de nossos compromissos financeiros e com nossos clientes comerciais. Por conta desses investimentos, já estamos efetuando uma redução de aproximadamente 6% no consumo do gás natural”, afirmou o gerente da empresa, Carlos Bertoletti.

O que dizem os especialistas?

A Petrobras se explica e os empresários se queixam. Para os consumidores, um alívio: o fornecimento foi normalizado nos postos. E os especialistas no setor de energia? O que dizem? Eles fazem um alerta: para o país crescer no ritmo sonhado, o desafio é imenso e urgente.

O país tomou um susto, mas os especialistas dizem que a falta de gás não foi um sinal de uma crise na oferta de energia nesse momento.

“Este tipo de ajuste é justamente normal. Faz parte do processo de funcionamento dessa máquina de demanda e oferta de energia e está, inclusive, estabelecida nos contratos de suprimento para os consumidores industriais e também para as térmicas”, observa o consultor de petróleo e gás Jean-Paul Prates.

Nos períodos de estiagem, quando os reservatórios de água das usinas hidrelétricas diminuem, o Operador Nacional do Sistema determina que as térmicas entrem em funcionamento para garantir a segurança da oferta de eletricidade.

“O governo quer economizar água no reservatório para que não ocorra o que aconteceu há três meses na Argentina, quando racionaram o gás e, mesmo assim, houve racionamento de energia elétrica”, afirma o representante do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, Adriano Pires.

O gás natural é uma espécie de curinga na matriz energética brasileira, porque ele serve para o automóvel, é utilizado em várias indústrias e alimenta as termelétricas. O país ainda não possui uma produção suficiente de gás para atender às suas necessidades. Por isso, a dependência em relação ao gás boliviano continua inevitável.

O consultor de petróleo e gás Jean-Paul Prates lembra que o Brasil segue o cronograma estabelecido para a exploração de novas reservas de gás na Bacia de Santos e no Espírito Santo e também para a importação de gás natal liquefeito (GNL). Mas esses planos demandam tempo.

“É preciso continuar lidando com a Bolívia como parceiro de gás de curto e médio prazo. E mais: o Brasil é o futuro da Bolívia. Se hoje nós dependemos da Bolívia, parece que nós dependemos mais dela do que ela de nós, o futuro da Bolívia está associado necessariamente ao futuro do mercado de gás do Brasil. E eles sabem disso e estão voltando para a mesa com essa consciência”, explica o consultor de petróleo e gás Jean-Paul Prates.

O problema no setor de gás, segundo os especialistas, reflete também a falta de investimentos para aumentar a oferta de energia elétrica de acordo com o crescimento da demanda.

“À medida que a gente está retomando o crescimento da economia brasileira hoje, e todos os indicadores mostram que finalmente nós vamos crescer 5% ou 6% ao ano, pode haver um problema com energia. Ou seja, a energia pode impedir que o Brasil cresça a 5% ao ano. É esse que é o grande desafio”, finaliza o representante do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, Adriano Pires.

A Petrobras foi obrigada, na quarta-feira (31), a normalizar o abastecimento de gás natural por determinação da Justiça. Mas o presidente da empresa, José Sérgio Gabrielli, disse em Londres que vai recorrer da decisão.

Fonte:
http://bomdiabrasil.globo.com/Jornalismo/BDBR/0,,AA1660682-3682-749550,00.html

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