Em 2007, GNV é único combustível que acumula alta

O preço do gás natural veicular (GNV) é o único a registrar inflação acumulada entre os principais combustíveis automotivos no varejo em 2007. Todos os outros tiveram queda. A informação é do economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, que usou os resultados do Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) para mensurar a movimentação de preços do item no ano.

Segundo ele, o aumento do preço do produto, apesar de ter desacelerado entre a terceira e a quarta semana de outubro (de 0,72% para 0,63%), acumula alta de 10,25% de janeiro a outubro. O GNV está em trajetória contrária às quedas, no mesmo período, nos preços de álcool combustível (-10,61%), gasolina (-2,03%) e óleo diesel (-0,14%).

Para Braz, o aumento foi causado pela forte procura do produto no ano. “Mesmo em alta, o GNV continua sendo mais barato que outras opções de combustível de caro, como gasolina.”

O economista também avaliou a decisão da Petrobrás de racionar o fornecimento de gás nos Estados de Rio e São Paulo (sendo que, no Rio, o fornecimento foi restabelecido via determinação judicial). “Foi muito recente, e durou pouco, no Rio. Não há como mensurar a influência do que aconteceu agora no preço do produto.”

Entretanto, ele admitiu que, caso o racionamento seja mantido por mais tempo e acabe por se espalhar por um número maior de localidades, pode ocorrer um impacto mais visível no preço do produto pesquisado pela FGV. “Se o racionamento continuasse, poderia afetar o preço do produto, que pode acabar se tornando escasso.”

O economista disse ainda que o GNV tem pouco peso na formação da inflação do varejo, se comparado a outros combustíveis automotivos. “Gasolina e álcool pesam mais que o GNV. Esse produto só tem peso maior que o óleo diesel.”

IPC-S

A FGV anunciou ontem o IPC-S até 31 de outubro, último resultado do índice do mês, que subiu apenas 0,13%, ante aumento de 0,30% na semana anterior. De acordo com Braz, o resultado do índice foi beneficiado pela perda de força da inflação no setor de alimentação, que foi reduzida para menos da metade (de 0,72% para 0,25%), entre a terceira e a quarta semana de outubro. Para o economista, há boas chances de o resultado do índice continuar a desacelerar neste mês.

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