Usina no ES fecha primeira venda de créditos de carbono

A ArcelorMittal Tubarão, a maior usina brasileira do gigante siderúrgico indo-europeu, fechou o primeiro contrato do país de créditos de carbono no setor.
Através de um programa de eficiência energética iniciado em 2004, a fábrica da ArcelorMittal do Espírito Santo conseguirá evitar a emissão de aproximadamente 400 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) no período de dez anos. E, por esse motivo, está apta a negociar os papéis previstos no Protocolo de Kyoto. Por convenção, cada tonelada de gás-estufa que deixa de ser emitida equivale a um crédito de carbono no mercado internacional.

Em entrevista, Luis Antonio Rossi, gerente de Meio Ambiente da ArcelorMittal Tubarão, explicou que a comercialização desses créditos veio na esteira das adaptações necessárias na usina para aumentar sua eficiência energética, previstas dentro da política socioambiental de empresa. “A gente já estava atento e acompanhando todo esse movimento dentro da nossa política de sustentabilidade”, disse Rossi.

Segundo ele, as adaptações para o ganho em eficiência energética exigiram investimentos de US$ 20 milhões, referentes à construção de gasômetros para transportar os gases emitidos no processo de produção para a central termelétrica.

O registro dos créditos - o sinal verde para a comercialização - ocorreu em 2006. O banco estatal alemão KFW pagará, em até 15 dias, US$ 5 milhões pelas 300 mil toneladas de gases auditadas, referentes ao período de 2004 a 2008. Para 2009 e 2010, a planta capixaba deverá contabilizar mais 100 mil toneladas de gases que deixaram de ser jogados na atmosfera.

Os créditos de carbono são uma espécie de “cereja do bolo” - um prêmio a mais ao empreendimento, mas não a razão principal para as modificações realizadas. O principal motivo, diz Rossi, é a própria economia energética gerada pela usina, que tem uma capacidade de produção de 7,5 milhões de toneladas de aço bruto por ano.

“Já somos auto-suficientes em energia, com potencial de geração de 490 MW”, afirmou Rossi. “No Espírito Santo, a maior hidrelétrica consegue gerar de 80 a 120 MW de energia”. Além disso, diz o executivo, a usina de Tubarão comercializa um excedente de 100 MW.

Além dos créditos referentes à eficiência energética, outros dois projetos estão em andamento. O primeiro é o aproveitamento dos gases gerados na queima de carvão mineral, na Sol Coqueria Tubarão - joint-venture da ArcelorMittalTubarão, ArcelorMittal Belgo e a Sun Coke International e com capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas de coque por ano.

O projeto está na fase de validação. O processo de recuperação de calor produz 170 MW de energia elétrica na central termelétrica da Sol Coqueria e tem potencial de gerar, em sete anos, de 3,7 mil toneladas de CO2 com a redução de emissão de gases-estufa.

O segundo projeto é o do Terminal de Barcaças Marítimas (Tbmar), que iniciou as operações em 2006 no complexo portuário de Tubarão. Com investimento de R$ 15 milhões, o Tbmar foi construído para o transporte de 1,1 milhão de toneladas anuais de bobinas a quente para a ArcelorMittal Vega, em Santa Catarina.

Quatro barcaças estão em operação por meio do sistema de cabotagem, transportando o equivalente a 110 caminhões por dia, por um percurso de 1.170 quilômetros entre Vitória e São Francisco do Sul (SC). O deslocamento contribuirá para a redução das emissões de gases-estufa da queima dos combustíveis dos caminhões, que deixarão de circular nas estradas brasileiras.

Fonte: Bettina Barros, Valor Econômico/Sindicomb Notícias, junho/09

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