Ônibus que não polui será testado a partir de agosto



Diário do Grande ABC

A EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) apresentou ontem, em São Bernardo, o primeiro modelo de ônibus movido a hidrogênio da América Latina. O veículo, que não libera gases poluentes na atmosfera, ainda está em testes e começará no mês que vem a circular pelo Corredor ABD, que liga a Zona Sul à Zona Leste da Capital passando por quatro cidades da região.

Diferente dos coletivos movidos a diesel, que expelem resíduos poluentes, o novo ônibus se desloca por energia elétrica, resultado da fusão do hidrogênio com o oxigênio do ar, liberando apenas vapor d´água. "Os testes com passageiros começam em agosto. O corredor ABD é ideal porque é segregado e reúne todas as condições topográficas e de demanda", afirmou o presidente da EMTU Júlio de Freitas Gonçalves.

Presente ao evento, o governador José Serra ratificou a escolha da plataforma da região. "O Corredor ABD é o melhor do Estado e do Brasil." O valor do ônibus é mantido em sigilo, mas estima-se que o custo de uma unidade se aproxima de R$ 2 milhões.

Ainda este ano, uma estação de produção e abastecimento de hidrogênio será instalada em São Bernardo. Até o primeiro trimestre de 2010, mais três ônibus serão incorporados aos testes. O projeto, orçado em US$ 16 milhões, foi desenvolvido em parceria com o Ministério das Minas e Energias, financiadores mundiais e empresas do Brasil e do Exterior. Apenas outros quatro países (Alemanha, China, EUA e Japão) desenvolvem tecnologia similar.

Governador cobra rapidez de Marinho e Oswaldo Dias

Durante discurso de apresentação do ônibus movido a hidrogênio, o governador do Estado, José Serra (PSDB), aproveitou para puxar a orelha de dois prefeitos petistas da região. O tucano disse ao prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), que é preciso assinar "logo o convênio de R$ 24 milhões" com a Dersa (Desenvolvimento Rodoviário) para compensação ambiental por conta da construção do trecho Sul do Rodoanel.

Das três cidades que serão cortadas pelo anel viário, São Bernardo é a única que não firmou convênio. Santo André e Mauá assinaram o documento na gestão passada. "Temos o dinheiro. Falta o prefeito assinar", disse Serra. A resposta de Marinho foi curta: "Em poucos dias, governador". Mais tarde, o prefeito de São Bernardo disse que a compensação será assinada em 15 dias. "Gostaria que nenhuma comunidade ficasse isolada como está no atual projeto".

Serra lembrou ainda que pretende construir um AME (Ambulatório Médico de Especialidades) em Mauá, mas que para isso precisa que o prefeito Oswaldo Dias ceda ao Estado um local. "Estamos na dependência disso". De acordo com o governador, após a disponibilização e reforma do imóvel, o governo se responsabilizará pelos funcionários, gestão e o custeio do ambulatório. (Diário do Grande ABC/André Vieira)

Voltar