Plugado à tomada e ao futuro

Diário do Grande ABC

A chamada Onda Verde - corrida da indústria automotiva em busca de energias alternativas e ecologicamente corretas - tem conquistado cada vez mais adeptos. Nos principais salões do mundo, os protótipos em sintonia com o meio ambiente têm atraído os holofotes dos preocupados com o futuro. O Brasil, antenado no movimento, também surfa essa onda com o Palio Weekend Elétrico - veículo desenvolvido pela Fiat em parceria com a Itaipu Binacional e que proporciona emissão zero. Ou seja: não polui!

O Diário teve a oportunidade de conhecer o processo de produção desse veículo, que ocorre dentro da Usina de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR). Em um galpão simples encontramos alguns Palios prontos para circular. Outros estavam estrategicamente posicionados em cada compartimento da linha de montagem. Ao todo já estão prontos 21 elétricos e até o final do ano outros 29 deverão ser fabricados, totalizando 50 unidades.

Segundo Leonardo Cavalieri, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto, os carros chegam direto da linha de montagem da Fiat em Betim (MG), só que sem o motor a combustão. O local está vazio, pronto para receber o coração elétrico.

Antes de acoplar o propulsor e a bateria, todo o sistema é checado em um equipamento que mais lembra o esqueleto do veículo. Nele é possível diagnosticar se a bateria, o motor ou mesmo os chicotes - todos importados com um custo de cerca de R$ 60 mil - apresentam problemas.

A bateria de níquel é um caso à parte. Grande (165 quilos) e totalmente reciclável, ela é refrigerada a água e proporciona autonomia de 120 quilômetros. São necessárias 8 horas para recarga total.

Cavalieri alerta para o fato de que uma das principais preocupações com o carro elétrico é a bateria. Atualmente a busca é por um equipamento menor, mais leve e com maior autonomia. A redução de custos também é vital, já que o carro elétrico sofre ação de 25% do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados).

Internamente o carro não recebe muitas modificações, apenas um novo painel de instrumentos e uma manopla de câmbio - carro elétrico não tem transmissão - com três posições: D (drive), N (neutro) e R (marcha à ré). Um computador de bordo ajuda na leitura dos parâmetros da bateria.

Ronco dá lugar ao silêncio

Para todo aluno - aplicado ou não -, o recreio sempre é a hora mais esperada. Então, após recebermos uma aula de como é fabricado o Fiat Palio Weekend Elétrico, pulamos para dentro de um dos modelos disponíveis e rodamos pela Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Se não fossem a pintura diferenciada e os vários adesivos, por fora o Elétrico seria idêntico ao modelo flex que circula pelas ruas. Lanternas, faróis, frisos, entre outros detalhes são absolutamente iguais.

Dentro, as coisas não mudam muito. Destaque para o painel de instrumentos, desenvolvido exclusivamente para o modelo, e o computador de bordo que oferece informações sobre a bateria, como temperatura e carga restante.

Para colocar o Palio em ação, basta girar a chave. O barulho na ignição não existe. Com o carro pronto para rodar, a impressão é de que ele está desligado. Silêncio total!

Colocamos então no drive e aceleramos o modelo. Escutamos somente o barulho dos pneus girando sobre o asfalto e um leve zunido. O torque de 12,6 kgfm impressiona. A aceleração é surpreendente.

A dirigibilidade também é total. O carro está completamente sob controle. Nas frenagens é possível sentir o peso da bateria no porta-malas. Por isso, a suspensão é recalibrada.

Mesmo não sendo hidráulica, a direção é leve pelo fato de no lugar de um pesado motor a combustão estar um leve bloco elétrico. Resumindo: o futuro pode ser agradável e ecologicamente correto. (Diário do Grande ABC/Marcelo Monegato)

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