Campo de gás não ficou pronto, como prometido




A superoferta de gás natural que se observa hoje no Brasil poderia ser ainda maior, não fossem os problemas de infraestrutura na instalação de campos de gás. Anunciado como já pronto para entrar em operação em junho, o campo de Camarupim, na Bacia do Espírito Santo, ainda está parado. A previsão de produção média do campo seria de 2 milhões de metros cúbicos, com pico de 10 milhões de metros cúbicos por dia.



O navio-plataforma Cidade de São Mateus chegou a ser instalado na área, mas não pôde ser conectado aos poços porque a estrutura de dutos que o ligaria à terra não estava concluída. Um técnico da Petrobras, que pediu para não ser identificado, afirmou que o procedimento estará sendo concluído no fim de agosto para, finalmente, ser fixada a data de entrada em operação.



Segundo o técnico, a dificuldade de colocação dos dutos no local atrasou a obra. Ele destaca que em alguns pontos há um forte declive, que faz com que o solo marinho oscile entre uma profundidade de 60 metros e 700 metros em menos de 6 quilômetros.



O campo de Camarupim estava incluído do Plano de Antecipação da Oferta de Gás Natural no País, o Plangás, criado em 2006 para buscar alternativas à produção para atender ao consumo que crescente na ocasião, que ameaçava um desabastecimento.



A estatal anunciou em informe ao mercado que havia iniciado a produção em junho nesse campo e em Cangoá, também na Bacia do Espírito Santo. Sobre Camarupim, a Petrobras informou, apenas, que "não há problemas na produção de gás".



A produção das duas áreas, que fazem parte do Plangás, deveria ser escoada para a Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), inaugurada com pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Linhares, no Espírito Santo. A previsão é que investimento de US$ 2,4 bilhões servirá para processar um pico de 18 milhões de metros cúbicos de gás diariamente até o fim de 2009. Segundo a Agência Estado apurou, o sistema de produção de Camarupim demandou investimentos da ordem de US$ 500 milhões.



A área será explorada pelo navio plataforma FPSO Cidade de São Mateus, fretado pela Petrobrás por nove anos, extensíveis por mais seis anos. O FPSO está no local desde maio, mas sem operação. A unidade tem capacidade para produzir 35 mil barris de óleo por dia e comprimir 10 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente.



Fonte: Kelly Lima, “O Estado de S.Paulo”, 11/08/09

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