Iveco apresenta o primeiro caminhão elétrico da América Latina

Fonte: Globo.com/G1/Priscila Dal Poggetto

A Iveco (Fiat) e a Itaipu Binacional apresentaram na última sexta-feira (28), em Foz do Iguaçu (PR), a versão elétrica do caminhão Daily. A parceria das duas empresas tem o objetivo de explorar as possibilidades da utilização da energia elétrica no transporte de carga e de passageiros e é uma evolução do desenvolvimento do Palio Elétrico. O caminhão elétrico é pioneiro no transporte de carga com emissão zero de poluentes no mercado latino-americano.

O protótipo do Daily Elétrico é equipado com três baterias Zebra, tem autonomia de 100 quilômetros com carga completa e desenvolve velocidade máxima de 70 km/h. Vazio, a velocidade máxima chega a 85 km/h. O tempo de recarga da bateria é de oito horas. Segundo a Iveco, a tecnologia pode ser aplicada em qualquer versão do modelo Daily, seja chassi-cabine, furgão ou chassi de ônibus.

A Iveco é detentora de ”know-how” em veículos elétricos. Na Itália, ela possui uma divisão chamada Altra, que já faz a família Daily nas versões híbrida e elétrica. "Trouxemos essa tecnologia e fizemos parceria com uma empresa suíça de baterias”, afirma o gerente da plataforma de leves da Iveco do Brasil, Marcello Motta. A tecnologia das baterias e do motor elétrico é da empresa MES-DEA, enquanto o sistema de transmissão, central eletrônica, sistema de refrigeração do motor, instrumentos do painel e outros componentes são da Altra.

De acordo com Motta, mesmo com a tecnologia disponível, é preciso amadurecer o projeto para o mercado latino-americano. Por esse motivo, a Iveco começa agora o processo de adaptação do produto às condições climáticas do país - que possui altas temperaturas -, de solo, o que afeta diretamente a durabilidade do veículo, e contaminação com poeira. “O Daily tem a vocação para entrega de cargas em regiões metropolitanas. A versão elétrica deve estar adaptada também para o anda e para na cidade”, observa o gerente.

O segundo desafio será tornar o projeto economicamente viável. De acordo com Motta, a Fiat e a Itaipu Binacional buscam alternativas com fornecedores para desenvolver a estrutura do projeto, o que inclui pontos de abastecimento de energia elétrica e políticas de redução de impostos. “Trabalhamos em todos esses sentidos.”

Após a conclusão dos testes do protótipo, planeja-se um lote especial do Daily Elétrico para comercialização aos parceiros de desenvolvimento e clientes pré-selecionados. Eles serão produzidos no mesmo galpão dentro da usina de Itaipu onde hoje já é montado o Palio Elétrico. A montagem é conduzida em parceria pela Itaipu Binacional e a empresa Isvor, do Grupo Fiat. As primeiras 10 unidades produzidas do Daily Elétrico serão entregues para a Itaipu Binacional e seus parceiros. Segundo a Iveco, o projeto já atrai interesses de grandes empresas no Brasil e Argentina.

A forma de dirigir o Daily Elétrico é igual à utilizada em um veículo automático. Existem apenas os pedais do acelerador e do freio. Uma alavanca de câmbio indica as posições à frente, ponto morto e ré. Para andar, basta girar uma chave no painel, colocar a alavanca na posição à frente (forward) e acelerar.

Entretanto, o display digital no painel é bastante diferente de um veículo comum. Indica, por exemplo, a carga, a corrente e a voltagem das baterias e sua temperatura de operação. Mostra ainda a temperatura do motor elétrico e a marcha engatada. Há também um espaço para curtas mensagens de advertências do sistema, administrada pela central eletrônica.

Fora isso, não há modificações visíveis no veículo, pois as baterias e o motor podem ser totalmente instalados na parte interna do chassi. A área para carga não é comprometida. As baterias podem ser duas, três ou quatro, dependendo do entre-eixos e da autonomia desejada.

As baterias Zebra são três vezes mais leves que uma bateria de chumbo-ácido comum com capacidade similar de armazenamento de energia. Equipado com as três baterias Zebra, o Daily Elétrico é 450 kg mais pesado (sem carga) quando comparado a um Daily cabine-dupla comum (modelo 55C16). A capacidade de carga útil pode chegar a até 2,5 toneladas.

Como as baterias não possuem efeito memória, a carga pode ser feita com qualquer quantidade residual de energia. As três baterias carregam e consomem energia simultaneamente. Podem, porém, funcionar de forma independente, uma segurança para o sistema.

À base de sódio, níquel e cádmio, as baterias são totalmente recicláveis e podem ser posteriormente reaproveitadas em diversos processos industriais. (Globo.com/G1/Priscila Dal Poggetto)

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