GM do Brasil desenvolve oito novos carros

Enquanto a matriz nos Estados Unidos não sabe ainda como será seu futuro depois da concordata e com a maioria de suas ações nas mãos do governo americano, a subsidiária brasileira fervilha com projetos. Pelo menos oito carros inéditos estão sendo desenvolvidos pela General Motors do Brasil, com previsão de chegarem ao mercado nos próximos três anos. Essa conta não inclui o Agile, a ser lançado em outubro.

A montadora decidiu acelerar seus projetos no País após realizar um acordo com a matriz, ratificado pelo governo Barak Obama, de não remeter lucros este ano. Nos últimos três anos, parte dos ganhos obtidos localmente foram enviados à sede do grupo em Detroit, de acordo com a lei de remessas. "Com dinheiro em caixa, podemos antecipar projetos", diz Jaime Ardila, presidente da GM do Brasil e Mercosul.

A GM desenvolve, paralelamente, duas novas famílias de veículos no Brasil, chamadas de projetos Viva e Onix. O primeiro fruto do projeto Viva é o Agile, um hatchback que foi totalmente desenvolvido no País, da plataforma até o design externo. O modelo será produzido na Argentina.

Inicialmente serão 5 mil a 6 mil unidades ao mês. Desse total, cerca de 70% será vendido no mercado brasileiro. No futuro, o modelo será exportado para a África do Sul. O Agile disputará mercado com modelos como o Volkswagen Fox e o Fiat Punto, com preços na faixa de R$ 30 mil.

O segundo modelo dessa família será produzido em São Caetano do Sul (SP) e chegará ao mercado em junho do próximo ano, mas Ardila faz segredo sobre o segmento em que atuará. Já o terceiro componente da família ainda não foi definido. Pode ser um sedã, uma van ou um utilitário pequeno. O projeto Onix, recém anunciado pela companhia, também deverá ser composto por dois a três veículos a serem produzidos em Gravataí (RS). Outros dois carros independentes dessas duas famílias serão fabricados em São José dos Campos (SP).

"Até 2012 teremos toda nossa gama de produtos renovada", informa Ardila. Além desses projetos, a GM do Brasil trabalha na criação de uma picape média para o mercado mundial, em parceria com a japonesa Isuzu. Além do Brasil - onde deve substituir a S10 -, mais duas fábricas produzirão o veículo: uma na Tailândia e a terceira em local ainda a ser definido pela matriz. "Nossa picape mundial será federalizada, ou seja, cumprirá todos os requisitos para ser vendida em qualquer mercado, incluindo os Estados Unidos", diz Ardila.

Para desenvolver todos esses projetos, a GM ampliou seu centro tecnológico em São Caetano, com a construção de novos laboratórios e a aquisição de modernos equipamentos que reduzem o tempo de desenvolvimento de um carro. A ampliação, iniciada em 2006 e inaugurada esta semana, consumiu US$ 100 milhões. Dentro do projeto Onix, cerca de mais R$ 600 milhões estão reservados para o centro tecnológico.

De acordo com Ardila, nos últimos dois anos a GM anunciou investimentos de R$ 5 bilhões a serem aplicados até 2012. O mais recente programa, confirmado em julho, prevê investimentos de R$ 2 bilhões para a família Onix, o que inclui também a ampliação da fábrica gaúcha. Desse total, metade sairá do caixa da companhia, R$ 365 milhões serão emprestados do Banrisul, R$ 200 milhões do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o restante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), informa o vice-presidente da GM, José Carlos Pinheiro Neto. (O Estado de S. Paulo/Cleide Silva)

Fonte: O Estado de S. Paulo

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