Alta no aço e no IPI deve deixar carros mais caros

Se a competição entre as montadoras poderia dificultar o repasse integral do IPI - que volta a subir a partir de outubro - sobre o preço final dos carros, o reajuste no valor do aço acabará provocando impacto no bolso do consumidor.

Relatório da corretora Link Investimentos que cita fontes do mercado indicou que a Usiminas elevou, a partir deste mês, os preços do aço plano entre 10% e 12%. A CSN também já teria anunciado aos seus clientes um reajuste de 13%.

O aço plano é um dos insumos mais usados na fabricação dos veículos. "O reajuste é um complicador neste momento. As montadoras estão fazendo promoções e subsidiando juros. As margens não estão folgadas para absorver um aumento desse nos custos", disse André Beer, ex-presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e consultor do setor automotivo.

Procuradas, as siderúrgicas não confirmaram o aumento. Em nota, a Usiminas disse apenas que "mantém sua política de preservar a competitividade no preço do aço com flexibilidade para negociar, considerando as demandas e as especificidades de cada cliente".

Segundo uma fonte do setor automotivo, porém, o reajuste do insumo já foi colocado às empresas de autopeças e é inevitável que seja cobrado das montadoras em breve.

Em média, um automóvel carrega cerca de 600 quilos de aço, o que representa 58% de seu peso. A indústria automotiva é a segunda maior compradora do produto, atrás da construção civil, e responde por 20% do consumo nacional.

Com a retomada da demanda, impulsionada pelo retorno do crédito - já praticamente nos níveis anteriores à crise -, as montadoras terão agora mais chance de repassar o aumento dos custos para o valor do carro, diz o sócio-diretor da PricewaterhouseCoopers Marcelo Cioffi. Um fator adicional que pode pressionar os preços internamente é a queda nas exportações.

"Com a retração no mercado externo, as montadoras terão dificuldade de aumentar os preços lá fora. Assim, terão de compensar aqui", diz Cioffi. De acordo com ele, não é possível estimar o repasse sobre o preço dos carros, porque a competição no setor automotivo está "muito acirrada".

A partir do mês que vem, o IPI começa a subir - a alíquota vai recuperar um terço do que foi cortado; em novembro haverá outra alta; e a última será em dezembro. "O IPI sozinho não derrubaria as vendas. Agora, com o aumento no aço, os custos sobem muito", diz Beer.

(Folha de S.Paulo/Paulo de Araujo)

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