40 milhões de m³ de gás em sobreoferta

O mercado brasileiro de gás natural deverá ter uma sobra de cerca de 60 milhões de m³ até 2011, segundo o diretor da consultora Gas Energy, Ricardo Pinto. Atualmente, a sobreoferta chega a 40 milhões de m³, influenciada pela redução da demanda industrial relacionada à crise econômica e pelo menor despacho termelétrico.

A nova configuração do mercado de gás atual opõe-se ao ano passado, quando o país atravessou um período de escassez, chegando a cogitar a possibilidade de racionamento e renegociação de contratos. A oferta agora tende a aumentar por conta da entrada em operação de novos projetos no cluster da Bacia de Santos e do aumento da produção dos prospectos da Bacia de Campos e do Espírito Santo. “Como a demanda não tem acompanhado a oferta, a sobra de capacidade é inevitável”, explicou o executivo

Para o consultor da Gas Energy, a saída para o escoamento deste gás não deve ser a exportação. “É preciso estimular o consumo, criando condições internamente para o aumento da utilização do gás como a construção de malhas, a expansão do GNV, GNC e da cogeração”.

Um exemplo de capacidade ociosa pode ser observado na indústria química, de acordo com Pinto. “Essa indústria está inviabilizada por conta do preço, e acabamos importando esses produtos porque são mais baratos”.

Em meio à desaceleração da indústria, a produção média de gás natural da Petrobras em julho, excluindo o volume liquefeito, foi de 50,4 milhões de m³/dia, queda de 1,6 milhão de m³/dia na comparação com a média de produção de 52 milhões de m³/dia registrada no mês anterior. Já a demanda pelo gás natural boliviano caiu de 30 milhões de m³/dia para 21 milhões de m³/dia, desde 14 de julho passado.

Ricardo Pinto participou em 21/08/09 do Upstream de Oil & Gas Conference 2009, no Rio de Janeiro.

Fonte: EnergiaHoje/Sindcomb Notícias, agosto/09

Voltar