Liderroll desenvolve solução para gasoduto da Petrobras

A Liderroll – Soluções Permanentes de Engenharia, fabricante de equipamentos para o setor de petróleo, adotou uma nova tecnologia de suporte a gasodutos de óleo e gás em um projeto da Petrobras. A empresa vai usar pela primeira vez no GasDuc 3, da estatal, uma técnica recém patenteada para instalar gasodutos em lugares fechados, por meio de rolos de plástico verde, os chamados roletes, sem uso de mão de obra. O gasoduto, que vai transportar o gás de Macaé para a refinaria Duque de Caxias, no Rio, terá que passar por um túnel subterrâneo construído na Serra do Gavião, em Cachoeira de Macacu, municipio fluminense, para preservar um parque ecológico existente na região.

A exigência ambiental levou o consórcio formado pela Galvão Engenharia e a empreiteira argentina Contreras, responsáveis pela obra, a contratar os serviços da Liderroll. Paulo Fernandes, controlador e presidente da Liderroll, aceitou o desafio de encontrar uma solução ao problema. “A obra vai ter de percorrer um túnel de quatro quilômetros, talvez o maior gasoduto enterrado já construído no país, para manter a mata intacta. As empreiteiras tiveram de furar a montanha para enterrar a tubulação”, informou Fernandes.

A tecnologia a ser aplicada pela Liderroll para enviar o gasoduto por dentro do túnel obedece a algumas etapas. Primeiro, é montado um gasoduto completo do lado de fora do buraco furado na rocha. Em seguida, é instalada uma plataforma de roletes acoplada à parede do túnel. Esta é a única parte da instalação que utiliza trabalhadores. Num terceiro momento, é implantado um sistema elétrico com casa de força e cabine de controle que ficam fora do túnel. Os rolantes são ligados a este sistema por tomadas. Quando a parte elétrica é acionada, os rolantes se movem de forma sincronizada fazendo a tubulação andar sozinha dentro do túnel.

“Entregamos o sistema de roletes em janeiro. O que falta agora é conduzir o duto para dentro do túnel. Estamos correndo contra o tempo, pois esta parte do GasDuc 3, na Serra dos Gaviões, deve estar pronta até novembro”, disse Fernandes. O empresário adiantou que o sistema elétrico está em fase final de montagem pelas empreiteiras e deve ficar pronto até meados de setembro. A partir daí, começam os trabalhos de instalação subterrânea do duto. Ao sair, a tubulação será acoplada com solda à parte externa do gasoduto.

Por enquanto, a Liderroll só responde pela fixação das plataformas de roletes que fazem o gasoduto deslizar túnel adentro, mas a empresa está pronta para assumir todo esse pacote de serviços, garante Fernandes. Isso inclui o preparo do túnel para receber o duto, ventilação, iluminação, infraestrutura dos roletes, sistema elétrico e o envio do duto. “Já estamos prontos para fazer tudo sozinhos e entregar o túnel aberto para a empreiteira só soldar e conectar o duto na entrada e saída do túnel”.

A empresa, com sede em Duque de Caxias, no Rio, com capacidade para processar 400 toneladas de aço e polímeros por mês, trabalha em mais uma inovação. Desta vez, Fernandes está projetando uma máquina para lançar gasodutos enterrados num processo único automatizado. “Estamos nos inspirando na ‘trench machine’ que instala cabos de fibra ótica, naturalmente em dimensões bem menores que as dos gasodutos da Petrobras”, afirmou o empresário. Ele vai investir entre € 4 milhões e € 5 milhões em recursos próprios para produzir o novo equipamento, que já está patenteado.

Com tradição em encomendas da Petrobras, a Liderroll espera terminar a obra do GasDuc e ser contratada para aplicar sua tecnologia de duto enterrado para instalar uma tubulação num túnel de cinco quilômetros a ser construído no GasTau, gasoduto que irá de Caraguatatuba a Taubaté, em São Paulo, e que vai transportar em terra o gás produzido no campo de Mexilhão, na Bacia de Santos. “Já enviamos uma proposta à Camargo Corrêa”. Fernandes torce pelo pré-sal. “Estamos apostando no pré-sal, pois quando entrar em produção vai precisar de novos gasodutos.”

Fonte: Valor Econômico/TN Petróleo, setembro/09

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