Com preço menor, Petrobras importa GNL e reduz compra de gás da Bolívia

Estatal injetou 14 milhões de m3 de GNL no Estado do Rio em setembro

A redução da dependência do gás natural importado da Bolívia já está permitindo à Petrobras optar pela compra de parte do produto de outras origens, de menor custo. Em entrevista, a diretora de Gás e Energia da estatal, Maria das Graças Foster, disse que, no momento, é mais barato importar cargas já contratadas pela companhia de GNL (Gás Natural Liquefeito) - transportado em navios na forma líquida - do que comprar da Bolívia.

Nestes dias, a Petrobras injetou na rede de gás do Estado do Rio uma carga de 14 milhões de metros cúbicos (m3) de GNL. Mas a diretora destacou que a empresa continua cumprindo o contrato com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales de Bolívia (YPFB), a estatal do país vizinho, que prevê a importação mínima de 19 milhões de m3 por dia de gás por mês.

Em 22 de setembro, o presidente da YPFB, Carlos Villegas, disse que o fornecimento para o Brasil estava na faixa de 16 milhões de m por dia e que, por isso, o país estaria sujeito a multa. E, na semana passada, o ministro de Hidrocarbonetos boliviano, Oscar Coca, dissera que as estatais dos dois países se reuniriam para revisar o contrato de compra e venda de gás até hoje. O gás é o item mais importante da pauta de exportações da Bolívia, e o Brasil é seu principal mercado.

Graça Foster nega as informações de Villegas e de Coca. Segundo ela, nos primeiros dias de setembro, as importações têm oscilado em torno de 20 milhões de m3 por dia e que nunca ficou abaixo do mínimo de 19 milhões de m3 diários.

- Não tenho nenhum indício de redução das compras do gás da Bolívia, e tudo indica que a média de setembro deve ficar em 21 milhões de m3 por dia. Agora, tenho as cargas de GNL e, sendo mais baratas do que o gás da Bolívia, vou colocá-las no mercado - disse Graça Foster. - A Petrobras jamais falou com a YPFB que queria sentar com a empresa para rever o contrato. Isso não existe - afirmou Graça Foster, como mostra reportagem recentemente publicada.

A Petrobras informou ter realizado, leilão para venda de gás natural, com prazo de fornecimento de outubro de 2009 a março de 2010. O leilão inaugurou nova modalidade contratual de comercialização junto às distribuidoras e o início do desenvolvimento do mercado secundário de gás no país. Foram comercializados 3,75 milhões de m3 por dia.

Fonte: Ramona Ordañez, “O Globo”, setembro/09

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