Inovações tecnológicas ampliam ainda mais o mercado de turbinas a gás

Em trabalho que publicamos recentemente ("Gas turbines weathering the economic storm"), a Agência Internacional de Energia, IEA na sigla em inglês, nos surpreende com os dados do mercado mundial de geração elétrica a partir do gás natural. Os 3.800 TWh produzidos em 2006 deverão passar para 4.700 TWh em 2015, quando então representarão bem mais que os 20% da matriz energética global que o gás tem hoje.

Esta forte elevação tem como uma de suas peças-chave as turbinas a gás, objeto de uma pesquisa feita pela consultora especializada Frost&Sullivan que, entre outros dados, prevê um faturamento do setor em 2009 de US$ 20 bilhões, 7,5% acima do ano anterior, isto após um crescimento dito "fenomenal" de 53% na comparação 2007 - 2006.

A F&S analisa as causas da extraordinária demanda por turbinas a gás nestes últimos anos, e embora afirmando que esta performance não se manterá, antecipa uma taxa de crescimento do mercado de 4,7% ao ano até 2015, e estende sua previsão até 2030, quando espera que a geração elétrica a gás natural atinja 6.400 TWh.Entre outros fatores que dão respaldo a estas estimativas, a consultora alinha algumas razões para que as turbinas a gás sejam e continuem a ser a tecnologia escolhida por grande parte dos empreendedores, órgãos de financiamento e construtores de usinas termelétricas :


A flexibilidade operacional e a eficiência energética obtidas com o uso de turbinas a gás em plantas de ciclo combinado ( CCGT, em inglês ) são muito maiores que as de outros tipos de equipamento. Uma nova turbina em teste na Siemens atingirá mais de 60% de eficiência, uma meta que parecia distante


Do ponto de vista ambiental, instalações com modernas turbinas a gás suplantam outras alternativas, muitas vezes deixando a solução CCGT como a única capaz de ser aceita por especificações cada vez mais restritivas

Térmicas a gás são muito mais rápidas de implantar, se comparadas a unidades nucleares ou a carvão. Seus custos de capital são sensivelmente menores, em especial pela exigência, como no caso do carvão, de instalações de proteção ambiental. Há ainda o problema de escala - térmicas a gás podem ser viáveis em potências menores

Os custos de construção são leves, todos os componentes da instalação são de tecnologia provada (o que não ocorre, por exemplo, com as técnicas IGCC e CCS exigidas no carvão), os custos operacionais e de manutenção são baixos. Um último argumento da F&S é mais discutível - eles prevêm uma redução a médio prazo no preço do gás natural.

A todas estas considerações poderíamos acrescentar os avanços tecnológicos das próprias turbinas, que têm sido frequentemente anunciados e que expandem continuamente sua faixa de utilização - mais horas entre paradas, menos necessidade de manutenção, maior controle e, recentemente, adaptabilidade às mais extremas condições atmosféricas. Um bom exemplo foi relatado a poucos dias pela publicação especializada "Cogeneration&On-site Power Production", sobre o funcionamento das novas turbinas a gás GE MS 5001 PA em local da Sibéria onde a temperatura chega a -60º. Esta mesma turbina está operando na África e no Oriente Médio em locais que podem atingir +60°.

Assim, vão as turbinas suportando a crise econômica mundial, como afirma o título da matéria que publicamos, e seu futuro como equipamento preferencial para geração elétrica não parece ameaçado. Pena que, também em um horizonte perceptível, não tenhamos a oportunidade de incluirmo-nos na exclusiva lista de seus fabricantes.

Fonte: Gas Net

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