Usinas térmicas devem operar pouco em 2010

“Não tivemos período seco este ano, choveu o tempo inteiro", comenta o gerente executivo de Desenvolvimento de Negócios de Gás da Petrobras, Richard Olm, enquanto olha para os tubos enfileirados em uma encosta na região de Cachoeiras de Macacu. "E preciso cumprir meus prazos", completa.

A chuva que dificulta o trabalho da equipe de Olm também representa desafios para seus colegas responsáveis pela venda do gás: principal âncora do consumo do combustível, as térmicas devem passar 2010 com baixíssimos níveis de operação.

De fato, o período seco teve um nível de chuvas bem superior à média histórica, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em setembro, por exemplo, o volume de água que chegou aos reservatórios equivaleu a 183% da média.

Os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste e Centro-Oeste, consideradas o "pulmão" do setor elétrico, fecharam setembro com níveis de armazenamento de 70,31%, média bem superior à dos anos anteriores (em 2008, estava em 57,90%).

"É um sinal de que não teremos risco de apagão e de que as térmicas não precisarão ser acionadas", explica o professor Nivalde de Castro, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico do Instituto de Economia da UFRJ (Gesel).
O cenário de abundância é refletido no preço da eletricidade no mercado livre, que está no piso de R$ 16,31 por megawatt/hora (MWh) há 14 semanas, informou a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Calculado com base em dados do ONS, o valor é um dos melhores indicadores da razão entre oferta e demanda de energia. Em novembro de 2007, quando postos e indústrias do Rio ficaram sem gás por causa da operação das térmicas, o preço do mercado livre estava acima dos R$ 200 por MWh.

Preços próximos do piso são mais comuns durante os meses de chuva, entre novembro e abril. Este ano, porém, a situação é mesmo fora do padrão: há grandes reservatórios, em bacias como as dos rios Grande e Paranapanema, com nível de armazenagem próximo a 90%, que devem ter de abrir comportas nos próximos meses caso as chuvas se mantenham no ritmo verificado até agora..


Fonte: “O Estado de S.Paulo”, novembro/09

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