Sobra de gás natural deve crescer

A sobra de gás natural no País já atinge a 40 milhões de metros cúbicos por dia e pode aumentar para 60 milhões de metros cúbicos diários até 2011, alertou a consultoria Gas Energy, tomando como base as plataformas da Petrobras que deverão entrar em operação principalmente em 2010.

O cálculo considera 10 milhões de metros cúbicos por dia que deixaram de ser importados da Bolívia, 20 milhões de metros cúbicos de GNL contratados com flexibilidade de entrega e mais 10 milhões de metros cúbicos de campos com produção suspensa. A sobra também considera o volume queimado nos campos em que o gás é associado ao petróleo, portanto não pode deixar de ser produzido.

"Novas plataformas estão entrando em produção e algumas delas são voltadas para a produção de gás, como Mexilhão e o sistema Uruguá-Tambaú (todas na Bacia de Santos). Se mantidas as mesmas condições atuais de acionamento de térmicas apenas quando os níveis dos reservatórios estão baixos, e preço elevado para o segmento industrial, a demanda não deve crescer de maneira a atender este aumento da oferta", disse a sócia diretora da Gas Energy, Sylvie D"Apote.

Pelos cálculos da Gas Energy, a demanda total por gás no País, que chegou a 60 milhões de metros cúbicos diários em agosto do ano passado, hoje está em torno de 40 milhões de metros cúbicos. Deste total, 23 milhões de metros cúbicos correspondem ao consumo industrial, quatro milhões a menos do que naquela época.

Sylvie lembrou que por ter como apenas "mudar a chave" do tipo de combustível para gerar energia, o consumidor industrial considera somente o preço final do produto entregue e a relação, que está desvantajosa para o gás, comparado a combustíveis mais poluentes, como o diesel, por exemplo.

Dados da Gas Energy apontam que o gás nacional é entregue na porta do consumidor por algo em torno de US$ 12,5, valor equivalente ao do óleo diesel (sem impostos).

A diferença, diz a consultora, é que a forma de cálculo do preço do gás embute uma parcela de transporte e uma suposta parcela fixa paga para a Petrobras.

Fonte: Kelly Lima, “O Estado de S. Paulo”, novembro/09.
GASNET

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