Eni retoma processo de venda da Gas Brasiliano

A petroleira italiana Eni decidiu retomar o processo de venda da distribuidora de gás canalizado Gas Brasiliano, que havia sido suspenso em 2005, após a descoberta de reservas do combustível na Bacia de Santos.


Segundo fontes próximas ao assunto, o processo faz parte de um redirecionamento dos negócios da companhia após a crise financeira, com foco maior nas operações de gás na Europa. O banco Santander foi contratado para coordenar a venda da distribuidora brasileira.


"Com a recente crise econômica mundial, houve um redirecionamento nos negócios do grupo, com a decisão da venda do ativo", disse uma fonte a par das negociações em curso. Segundo essa fonte, as negociações com potenciais interessados estão bastante avançadas. "A tendência é de que o negócio seja concluído ao final deste ano ou no início de 2010", contou.

Segundo ele, entre os interessados estão as mesmas empresas que participaram do primeiro processo de venda, como Petrobras e Cemig. Interessada em ampliar sua presença no País, a BG também deve avaliar o ativo, mas enfrenta entraves por já controlar a Comgás.



Em 2005, a Eni chegou a abrir uma sala de informações para interessados na Gas Brasiliano, mas não considerou atrativas as ofertas recebidas. Além disso, descobriu um reservatório de gás ao lado de Mexilhão, maior reserva brasileira do combustível, o que poderia justificar a manutenção das atividades no País. No entanto, a jazida ainda não foi desenvolvida, embora a empresa tenha informado à Agência Nacional do Petróleo (ANP) diversas descobertas na concessão.

Esse não será o primeiro ativo que a Eni se desfaz no Brasil. Em agosto de 2004, o grupo vendeu a Agip do Brasil, que atuava nos segmentos de gás liquefeito de petróleo (GLP, o gás de cozinha), lubrificantes e distribuição de combustíveis, à Petrobras, por US$ 450 milhões. Pela nova estratégia da companhia, os segmentos de refino e vendas de combustíveis serão focados na Europa. No gás, o único foco internacional é o gás natural liquefeito (GNL).


A decisão de venda da concessionária ocorre justamente no momento em que a Gas Brasiliano está passando pelo terceiro ciclo de revisão tarifária, que definirá a margem de distribuição da empresa até 2014. A proposta da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) é de uma redução de 22,6% na margem média de distribuição da concessionária, de R$ 0,36009/m³ para R$ 0,2786/m³.


Outro observador afirmou que o novo plano de negócios da distribuidora para este ciclo denota que a Eni não tinha interesse em expandir suas operações. Segundo a fonte, o investimento projetado para o segundo ciclo de tarifas, que se encerra este ano, soma R$ 279 milhões. Para este terceiro ciclo, o valor proposto pela Gas Brasiliano é de R$ 98 milhões, enquanto o valor sugerido pela Arsesp para o período totaliza R$ 112 milhões. "Esse plano de investimento não é sério. Se entrar outro controlador, isso terá de ser revisto." A concessionária atende hoje a 14 municípios na região Noroeste de São Paulo.


Fonte: Wellington Bahnemann e Nicola Pamplona, “O Estado de S.Paulo”, 20/11/09

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