Um bom momento para os gasodutos brasileiros

As atividades relativas a gasodutos estão em plena expansão no Brasil. Isto ficou muito evidente para os que participaram dos últimos eventos relativos ao setor, como o Rio Pipeline, liderado pelo IBP, ou a 5ª Conferência de Gasodutos, do IBC, ambas realizadas no Rio de Janeiro. Entre o extenso volume de dados que ficaram disponíveis para os participantes - só na Rio Pipeline foram apresentados centenas de trabalhos abordando todos os ângulos da atividade - podemos entretanto destacar alguns aspectos mais gerais, que melhor embasam a afirmação que fizemos acima, de que a indústria dutoviária, na sua vertente gasodutos, passa por um bom momento no Brasil.


Segundo um levantamento recente, temos cerca de 7,5mil km de gasodutos de transporte em funcionamento, se incluirmos o Urucu-Manaus, em início de operação nestes dias. Em construção, são 1,8mil km, metade dos quais relativos ao Gascac (Cabiunas,RJ, a Catu,BA). Entretanto, estes números, embora positivos, nâo expressam o que representam, como realização de engenharia, os mais recentes empreendimemtos, como o Gasduc III, o duto de maior capacidade de transporte do país (40 milhões de m³/dia), cujos detalhes construtivos inéditos tivemos ocasião de conhecer na 5ª Conferência. Menos ainda mostram as extremas dificuldades encontradas ao longo do Urucu-Manaus, atravessando terrenos alagados, passagem sob inúmeros rios, ambiente hostil à saude e logística aero-fluvial inimaginável "a priori". O Gasene, cuja extensão foi vencida graças a soluções construtivas inovadoras, ou o Gastau, superando a difícil topografia da Serra do Mar, são outros exemplos recentes de que as tradicionais dificuldades enfrentadas durante décadas pela atividade são agora meras lembranças de um passado heroico, mas ineficiente, e muitas vezes ruinoso para os empreiteiros.


Não foi somente em projetos, planejamento, equipamentos e processos construtivos que a indústria dutoviária melhorou. A evolução abrangeu, como mencionamos acima, todos os aspectos da atividade. Um deles, o número e porte das entidades dedicadas ao estudo do setor, fica claro quando as enumeramos. Já tínhamos há vários anos a EDI - Engenharia de Dutos e Instalações da Petrobras, mas a ela agora se adicionam o CT-Dut - Centro de Tecnologia de Dutos, especialmente ativo em proteção catódica e revestimento, o CREDUTO - Centro Nacional de Reparo de Dutos, operando desde 2007, e o CNCO - Centro Nacional de Controle Operacional, supervisionando 12mil km de malha de tubulações. Podemos ainda citar o Planejamento Integrado de Oferta e Demanda, que congrega siderúrgicas, fabricantes de tubos, empresas construtoras e orgãos como o IBP, todos preocupados com a logística dos empreendimentos.

Como vimos na Rio Pipeline, é grande a quantidade de empresas que oferecem novas tecnologias de construção, operação e manutenção de gasodutos. Há no momento uma convergência de interesses em torno do Brasil, com empresas estrangeiras se instalando, outras se ampliando e ainda novas iniciativas surgindo a partir de engenheiros brasileiros. Os materiais melhoram - o esforço de pelo menos seis grandes firmas mundiais em encontrar aços mais resistentes e de menor peso, que atendam às exigências do pré-sal, é um bom exemplo.

Em outra vertente, a evolução é também visível - novos regulamentos, como o RTDT, da ANP, para dutos terrestres, aumentarão a segurança e reduzirão a agressão ambiental. A nova Lei do Gás, em seus vários aspectos comerciais, operacionais, tributários e contábeis, é sem dúvida um passo à frente. atraindo novos investidores e oferecendo marcos regulatórios firmes para o crescimento contínuo da atividade.


Os dados e números que alinhamos acima parecem-nos convincentes da evolução rápida de um setor da engenharia brasileira que algumas vezes destoou do habitual clima de sucesso que a acompanha. Vejamos se esta impressão se manterá no futuro.

Fonte: Gas Net

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