MAN, presença crescente no Brasil, tem novo motor a gás/biogás

A MAN – Machinenfabrik Augsburg-Nürnberg é sem dúvida uma das mais tradicionais empresas mundiais de engenharia industrial. Em 2008, a MAN comemorou nada menos de 250 anos de existência, com festas em Munich, sua sede, e inauguração de museus onde se acompanha a evolução do grupo – quase poderíamos dizer a evolução da própria engenharia industrial. É verdade que, em 1758, quem iniciou operações foi o grupo GHH – Gute Hoffnungshütte, que em 1921 adquiriu o controle da MAN, a qual no último quarto do século XIX estabelecera reputação mundial ao colaborar com Rudolf Diesel na fabricação dos primeiros motores que levam seu nome. No acervo técnico de MAN pode-se ainda destacar o fornecimento dos motores diesel dos submarinos alemães, na 2ª Guerra Mundial, capazes de performance prodigiosa em termos de robustez, economia de combustível e emissões.


A MAN mantém-se hoje como um dos líderes globais na fabricação de motores, compressores, caminhões e extensa linha de equipamentos mecânicos, atuando em 120 países, com mais de 50 mil colaboradores, e faturando €15 bilhões (2008). Conserva forte ênfase em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, tendo há um ano recebido o prêmio alemão de inovação tecnológica, com seu novo motor a gás natural 32/40 PGI (Performance Gas Injection), que combina as vantagens do diesel com o ambientalmente amigável ciclo Otto – eficiência energética elevada e níveis baixíssimos de NOX.


No Brasil, a MAN teve um período de forte presença nas décadas de sessenta e setenta, quando fabricou localmente grandes motores marítimos, que equiparam boa parte dos navios produzidos pela então considerável indústria naval do país. O Estaleiro Mauá foi, na época, credenciado para grandes reparos nos motores MAN dos navios em tráfego, e fabricação de sobressalentes – uma atividade fascinante para os jovens engenheiros brasileiros que, como eu, acompanhavam os experientes técnicos alemães. Com a virtual desativação da indústria naval no Brasil , reduziram-se as atividades do grupo, mas agora ressurgem em larga escala, através da MAN Latin America, uma das quatro divisões da empresa. Na recém-adquirida fábrica de caminhões da Volksvagen em Resende, logo serão fabricados veículos com a própria marca MAN.


Entre os recentes avanços técnicos que o grupo trouxe à engenharia mecânica destacam-se compressores e equipamentos conexos, como vimos recentemente em trabalhos apresentados pela MAN Turbo (outra divisão do grupo) no 7º Fórum de Turbomáquinas, no Rio. Pela amplitude de sua aplicação, entretanto, focaremos aqui um pequeno motor recém-lançado na Europa, o EO 834, que opera com biogás de baixo poder calorífico, mas poderá funcionar também com gás natural.


O EO 384, descrito pela publicação especializada “Cogeneration & On-Site Power Production” como “idealmente adequado” para instalação de cogeração em aplicações agro-pecuárias, é um motor de 4 cilindros, potência de 68 kW a 1.500 rpm, equipado com turbocharger e refrigerador de 2 estágios. A conjugação de compressão e resfriamento resulta em maior quantidade da mistura combustível sendo queimada na câmara de combustão, com consequente elevação da eficiência energética – inéditos 91,5% podem ser obtidos quando o pequeno motor funciona com gás natural. Além da aplicação em instalações rurais ou no aproveitamento de resíduos orgânicos, o EO 384 é igualmente adequado para instalações que demandam pouca potência, em hotéis, edifícios comerciais e até piscinas. Mercado não falta para o novo motor.

Possivelmente, a nova posição da MAN no contexto industrial brasileiro poderá trazer alento ao setor de cogeração, cuja progressão tem sido obtida predominantemente no uso de biomassa como combustível. O extenso campo do aproveitamento do biogás produzido por resíduos ou gerado em ambientes rurais ganha novo instrumento para monetização de seu enorme potencial.


Luis Olavo Dantas, GasNet, janeiro/10

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