Renault-Nissan quer carro elétrico em São Paulo

Econômico

A aliança formada pelas montadoras Renault e Nissan e a Prefeitura de São Paulo assinaram um acordo de intenções para identificar uma série de medidas destinadas a viabilizar o tráfego de carros elétricos na cidade.

A partir dessa parceria, um grupo de trabalho passará a analisar todos aspectos relacionados à introdução desses veículos, como a instalação de uma rede de recarga e possíveis incentivos para tornar os carros competitivos. O grupo automotivo já firmou acordos desse tipo com cerca de 50 governos e instituições ao redor do mundo.

A ideia é garantir condições ao lançamento de carros elétricos das montadoras, a começar pelo modelo LEAF, da Nissan, que começará a ser comercializado no fim deste ano a partir de uma fábrica no Japão, que terá capacidade inicial de 50 mil unidades no primeiro ano.

Durante a cerimônia que marcou a assinatura do acordo, o prefeito Gilberto Kassab manifestou o interesse de encomendar carros do modelo para a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O desejo do prefeito é de que parte da frota da CET seja formada por carros elétricos até dezembro."Fica aqui feita publicamente a encomenda para entrega ainda neste ano", afirmou.

Por sua vez, o presidente mundial da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, respondeu que a montadora fará esforços para atender ao pedido em tempo, mas que, se isso não for possível, as entregas serão feitas no próximo ano.

Em entrevista a jornalistas, Ghosn reforçou que o desenvolvimento de carros elétricos no Brasil dependerá do apoio do governo, seja com incentivos fiscais, seja com a implantação da infraestrutura demandada por esses veículos, considerados ecologicamente corretos por não emitirem poluentes.

De acordo com ele, ainda é cedo para se falar em produzir carros elétricos no Brasil, uma vez que isso dependerá do desempenho das vendas no país de modelos desse tipo. O executivo disse que o grupo só irá considerar investimentos na produção local quando o mercado interno desses veículos superar 50 mil unidades por ano.

"Não acredito em produção em massa sem o apoio do governo", afirmou Ghosn, acrescentando que a Nissan recebeu"incentivos significativos"do Japão, dos Estados Unidos e da França para levar a produção do LEAF a esses países. Nesses mercados, o presidente mundial da Renault-Nissan acredita que os carros elétricos poderão alcançar um market share de 10% em um prazo de dez anos.

Ghosn defendeu que o apoio do governo deve se dar até que o carro elétrico se torne popular. Nos Estados Unidos, por exemplo, os donos de carros elétricos recebem do governo crédito em impostos da ordem de US$ 7,5 mil, disse.

A partir de um aumento na escala de produção, disse Ghosn, os carros elétricos conseguirão um equilíbrio de competitividade com os automóveis movidos a gasolina ou etanol, sem a necessidade de apoio estatal.

"A demanda por carros elétricos depende muito da vontade do governo (federal), das cidades e dos Estados. Isso não está em nossas mãos", assinalou o executivo. (Valor Econômico)

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