Rio Grande do Norte inaugura maior vaporduto do mundo

As termelétricas a gás natural representam mais de 10% da capacidade de geração elétrica brasileira, mas no momento contribuem com menos de 2% para a efetiva geração. O regime pluvial dos últimos anos encheu os reservatórios na maior parte do país - nossos problemas nesta área têm sido mais de inundações que de seca, o custo da energia elétrica a partir do gás é sabidamente mais alto que o hidrelétrico, e a ONS administra corretamente os despachos.

Mas, se neste panorama não há muito espaço para a geração térmica, há outro produto de algumas delas que é muito benvindo, o vapor, obtido a partir do calor contido nos gases de escape das turbinas a gás. A chamada “cogeração”, obtenção de eletricidade e vapor a partir do mesmo combustível, tem desde janeiro deste ano uma macro-aplicação no país, o “Sistema Vaporduto”, viabilizado com a operação da térmica Jesus Soares Pereira, antiga Termoaçu, no R.G. do Norte.



A injeção de vapor em poços de petróleo não é nenhuma novidade, e já vem sendo feita há quase 30 anos naquele Estado. O método é aplicado para acelerar a recuperação de petróleos muito viscosos (no caso, com 16º API), os quais têm sua viscosidade reduzida pelo aquecimento com vapor, aumentando em consequencia sua mobilidade ao escoamento. No sistema que operava até o início deste ano, denominado “cíclico”, injeta-se o vapor em um poço, e aguarda-se o efeito do aquecimento para que haja aumento na produção. O vapor injetado é proveniente de caldeiras isoladas, e atinge no máximo temperaturas da ordem de 260º, e pressões inferiores a 100 bar.



O vaporduto agora inaugurado funciona no sistema “contínuo”, no qual o vapor é permanentemente injetado em um poço, designado “injetor”, e força o escoamento do óleo em poços adjacentes, os “periféricos”. Para cada poço injetor há em média quatro adjacentes. O vapor injetado, vindo de térmica cujos gases de escape das turbinas atingem mais de 800ºC, é superaquecido, e chega aos poços a temperaturas de 350ºC e pressões acima de 110 bar.



Outras características do “Sistema Vaporduto” contribuem para torná-lo, quando atingir a plena operação, o maior do mundo. Serão 30km de linha tronco, 84km de ramais, 610 ton/hora de vapor superaquecido sendo injetadas em um total de 472 poços dos campos de Alto Rodrigues e Estreito. Somente na primeira fase (11km de tronco, 35km de ramais, 305 ton/hora de vapor, 42 poços injetores), já foram investidos US$ 200 milhões, prevendo-se uma elevação na produção de petróleo dos atuais 7,5 mil barris diários para 18 mil.



A injeção contínua de vapor agora em operação, testada e aprovada em escala piloto e semi-industrial, mostra a maturidade da indústria de petróleo e gás em nosso país, não apenas pela concepção do projeto ou pela qualidade dos materiais que foram empregados, mas também pela forma como foram conduzidos os trabalhos, tanto pelo idealizador e usuário (Petrobras), como pelo contratante da construção e montagem (Skanska Brasil). Não menos importante foi a conclusão da antiga Termoaçu, interrompida e adiada por anos, mas agora uma peça de utilidade indiscutível no esforço de retornar o nível de produção de petróleo no R.G. do Norte aos valores que alcançou no passado.


Fonte: GasNet

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