Carros híbridos chegam ao Brasil com um motor a combustão e um elétrico



Folha de S. Paulo

Assim que o primeiro lote de Mercedes S400 Hybrid desembarcar no país -provavelmente na próxima semana -, abrirá um novo capítulo na história da indústria automobilística nacional: a chegada dos híbridos.

Equipados com dois motores - um elétrico e outro a combustão normal-, eles já são vendidos na Europa, no Japão, nos EUA e até na Argentina. No ano passado, somaram 800 mil unidades, subindo para quase 2% da produção global.

Logo atrás do Mercedes deve vir a inédita versão híbrida do Porsche Cayenne. Cotada para ser importada para o Brasil, foi testada pela Folha na Alemanha, onde é produzida.

Quem espera grandes surpresas ao volante se decepcionará. Conduzir o Cayenne é como guiar um Porsche comum. O que não é uma má notícia.

A alternância de funcionamento dos motores, a parte mais complexa do sistema, é gerenciada por computadores.

No Cayenne, o elétrico (47 cv) entra em funcionamento quando o V6 a gasolina (333 cv) precisa de uma forcinha em acelerações bruscas ou quando só a energia de suas baterias é suficiente para empurrar o jipão, poupando combustível - a empresa promete ainda 23% de redução de emissões.

Mas, mesmo pressionando pouco o acelerador, a carga das baterias de níquel-metal só dura algumas dezenas de quarteirões. Depois, é preciso esperar alguns minutos até que a energia dissipada pelos freios (Kers) e pela desaceleração do motor a gasolina recarreguem a bateria. Todo o processo pode ser acompanhado no painel.

A animação no visor do DVD chega a ser tão dinâmica que faz do trânsito a atração secundária.

Pioneiros

Entre os híbridos, o pioneiro é o Toyota Prius, que dá as cartas. Desde 1997, mais de 1,7 milhão deles foram vendidos.

O hatch de US$ 23 mil (EUA), assim como o Ford Fusion Hybrid (US$ 28 mil) e o próprio Cayenne esperam uma política tributária específica para desembarcarem no país. "Ter dois motores para poluir menos é mais caro", diz Michael Leiters, engenheiro-chefe da Porsche.

O sedã Mercedes S400, o único até então confirmado, chegará por R$ 440 mil. Assim, a tecnologia servirá só para massagear o "eco-ego" de estimados 50 consumidores anuais. (Folha de S. Paulo/Felipe Nóbrega)

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