Mercado de inspeção de dutos necessita de profissionais

Esta é a grande aposta de crescimento no mercado de petróleo e gás

A profissão de inspetor de dutos é a grande aposta de crescimento no mercado de petróleo e gás, segundo profissionais da área. O entusiasmo vem graças ao grande alcance que a profissão oferece, pois pode atuar não só em gasodutos, que têm recebido grandes investimentos no país, como também em oleodutos e minerodutos. “Há muitos dutos a serem construídos e, em minha opinião, será um grande filão de mercado para quem trabalha na área de manutenção, pois será necessário esse tipo de profissional para dar continuidade às atividades de transporte de petróleo e derivados”, declarou Wilson Jose Visachi, Inspetor de Dutos e Instrutor da CETRE do Brasil, em entrevista recente.



Faltam hoje, pelo menos, 50% dos profissionais qualificados demandados por esse segmento. Quem segue essa carreira pode atuar na construção e montagem de oleodutos e gasodutos ou reabilitação de dutos já existentes, diretamente em obras de companhias de gás, minério e alcooldutos. Por ser um mercado pouco explorado atualmente, e com baixa procura por jovens em fase de formação profissional, a atividade torna-se bem remunerada. Pois além da falta de mão-de-obra qualificada, a responsabilidade assumida nos projetos é muito grande.



O curso de inspeção de dutos, por si só, já um grande diferencial, e somado à formação em soldagem, faz o salário pular de R$ 6 mil para R$ 11 mil. Porém, se qualificar em inspeção de dutos pode ser complicado. A Petrobras, através da norma N-2776, formalizou as exigências para certificação em Inspeção de Dutos Terrestres. Além da especialização só poder ser ministrada em instituições autorizadas pela estatal, o candidato deve ter curso técnico de nível médio, tecnológico ou curso superior de engenharia nas seguintes modalidades: mecânica, civil, edificações, naval, metalurgia, soldagem, estradas, agrimensura, elétrica, eletrônica, mecatrônica ou telecomunicações, com comprovação e carteira definitiva do CREA. Mas a principal dificuldade é o mínimo requerido de experiência profissional antes da certificação: seis meses de experiência em construção e montagem de dutos terrestres e/ou seus complementos, comprovados em carteira ou contrato de trabalho.



Segundo Henrique Cezar Mendes, analista de Treinamentos da Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem - FBTS/RJ, a maior dificuldade é a falta de mão de obra treinada e certificada nas obras. “Essa dificuldade não é só na linha de petróleo e gás, hoje a maior incentivadora do mercado profissional técnico, como também no setor naval, civil, metal mecânico, siderúrgico, automobilístico e aeroespacial”, disse o especialista.



Engenharia de Dutos estimula o mercado



A PUC-Rio iniciou, em março desse ano, o curso de Engenharia de Dutos, que tem como objetivo formar especialistas que poderão atuar nas diversas áreas associadas ao transporte dutoviário de petróleo e gás. O curso aborda, entre outros pontos, o ciclo de projeto e vida de um duto, o escoamento de óleo e gás em dutos, engenharia de traçado, projeto mecânico de dutos, além da manutenção, construção, montagem e operação.


“Precisamos de muito desenvolvimento tecnológico interno, garantido por diversos meios, como em educação, pesquisa e desenvolvimento na área de dutos, para que o Brasil possa se transformar em referência mundial e expandir nosso mercado”, declarou José Luiz de França Freire, coordenador do curso de Engenharia de Dutos, da PUC-Rio.


Fonte: Carla Viveiros, Nicomex Notícias, abril/10

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