Caminhões: idade compromete segurança

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Um estudo realizado mensalmente na Rodovia Presidente Dutra, no trecho entre São Paulo e Rio de Janeiro, revela que a segurança no trânsito está comprometida pela idade da frota em circulação.

A concessionária Nova Dutra, que administra a rodovia, realiza, por meio do “Programa 100% Caminhão”, criado em 2008 pelo GMA (Grupo de Manutenção Automotiva), uma pesquisa com veículos pesados que trafegam pela rodovia. Segundo a concessionária, em média, são analisados 30 veículos em dois dias de operação, apenas no trecho Rio/São Paulo.

Conforme dados do programa, 2/3 dos caminhões analisados pertencem a frotistas e 1/3 é de motoristas autônomos, “de um contexto totalmente masculino e de meia idade”, de acordo com Antônio Gaspar de Oliveira, presidente do Sindirepa (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios).

Conforme dados do Sindipeças, a idade média da frota de caminhões no País tem idade de dez anos e dez meses e a grande questão é que podem colocar a segurança no trânsito em risco. Os últimos levantamentos do “Programa 100% Caminhão”, na Dutra, confirmam a afirmação.

De 124 caminhões inspecionados nos últimos meses, 44% estavam com o nível de emissões de poluentes acima do permitido, 34% com o sistema de fluido de freio/embreagem vencido, 31% tinham vazamento de óleo e filtros de ar, óleo e de combustível vencidos, 34% estavam com rolamentos de rodas danificados e 13% com o sistema de direção com problemas.

Um outro estudo realizado pelo GIPA (Órgão Internacional de Segurança no Trânsito) analisou com mais cuidado o perfil do condutor autônomo. Dos 884 caminhoneiros autônomos brasileiros entrevistados, 34% têm veículos com mais de 22 anos, rodam em média, 96.558 quilômetros por ano – mais de 300 quilômetros por dia -, 77% são caminhões de segunda mão e percorrem longas distâncias (58%) no mesmo estado e 41,3% se estendem a outros distritos. Porém, desse levantamento, o mais preocupante é que 97% dos entrevistados não têm plano de manutenção do veículo.

Na opinião de Oliveira, apesar de hoje, o “apelo em relação à segurança e meio ambiente ser muito grande, a conservação do veículo é escassa e precisa ser mais frequente”. “De forma efetiva, a medida se consagra em um laboratório real, de verificação real das condições dos veículos. E esses números são importantes porque resultam em estimativas, o que é muito positivo”, observa.

Ele ressalta, no entanto, que “a questão da efetividade será muito melhor quando houver, assim como a inspeção veicular - de manutenção preventiva - a inspeção de segurança veicular como lei. Somente na parte de redução de emissões, a iniciativa está sendo muito positiva, com a lei seria aprimorada ainda mais”, relata.

No que diz respeito à criação de uma lei para a tirada de veículos das ruas, Oliveira observa que a questão é complexa, “porque poderia ser vista como uma lei agindo contra o pobre, mas pensando em segurança e meio ambiente, o prejudicado seríamos todos nós. Um veículo sem as mínimas condições de segurança coloca em risco, também, muitos inocentes”. Oliveira ressaltou que a iniciativa deve ser estendida a outras rodovias do Estado e também para veículos de passeio. (Webtranspo/Eliane Leite)

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