Frota do País está cada vez mais jovem



O Estado de S. Paulo

A frota brasileira de automóveis está mais jovem. A idade média dos veículos em circulação no País atingiu 8 anos e 10 meses, já é mais baixa que a da frota americana e próxima à de países europeus como Alemanha e França, além da Coreia. Pela primeira vez, ficou abaixo da faixa dos nove anos e alguns meses mantida desde 2000. Os brasileiros adquiriram mais carros novos e os modelos velhinhos, acima de 20 anos, estão indo para a sucata.

Dos quase 30 milhões de veículos da frota atual, 28% têm até três anos de uso. Em 2000, eram 20%. Já a participação dos modelos com mais de 20 anos de fabricação caiu de 9% para 4,4%, segundo o mais recente estudo sobre a frota circulante feito pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

O vendedor Daniel Oliveira, de 29 anos, trocou seu Monza 1989 por um Celta novinho no mês passado. "O carro velho dava muito gasto com combustível e manutenção; já o novo demora mais a dar problema e tem garantia", diz ele, acrescentando que a troca "foi um bom negócio".

Como Oliveira, uma leva significativa de brasileiros está tendo acesso ao primeiro carro zero. O mercado aquecido principalmente a partir de 2007, quando as vendas ultrapassaram 2 milhões de unidades, tem permitido a renovação da frota nacional. De 2000 a 2008, a idade média dos veículos no Brasil ficou na casa dos 9 anos, com variação apenas em meses.

O processo de renovação é lento. Para sair da marca de 9 anos e 5 meses de 2007 e chegar aos 8 anos e 10 meses de 2009, os brasileiros adquiriram 8,3 milhões de modelos zero quilômetro. Desse volume, 3,1 milhões foram comprados apenas no ano passado, com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e a facilidade de crédito.

"Estamos saindo do período de estagnação para o de renovação", constata Antonio Carlos Bento, conselheiro do Sindipeças. O movimento foi inverso nos Estados Unidos, dono de uma frota nove vezes maior que a brasileira. A crise internacional levou os americanos a manterem seus veículos na estrada por mais tempo, aumentando a idade média de 9,2 anos de 2007 - quando estava quase empatada com a brasileira - para 10 anos e 2 meses em 2009, segundo a consultoria R.L. Polk & Co.

Perfil. O perfil do brasileiro que compra carro novo também mudou. Pesquisa da empresa de varejo M. Santos com consumidores que adquiriram carros em feirões na capital de São Paulo no início do ano mostra que cerca de 40% estavam comprando zero-quilômetro pela primeira vez. Relatório envolvendo o País todo feito há dois anos por uma montadora apontava que 10,5% dos compradores estavam tendo acesso ao primeiro zero.

Financiamentos de longo prazo (acima de 60 meses) têm permitido a consumidores com renda mensal de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil adquirir modelos novos. O vendedor Oliveira, que ganha cerca de R$ 1,8 mil ao mês, financiou seu Celta novo em 60 parcelas de R$ 500. Analistas avaliam que os brasileiros estão trocando de carro com mais frequência.

A quantidade de veículos em circulação pelo País com quatro a dez anos de uso corresponde a 33,9%% da frota total, praticamente a mesma participação dos carros com 11 a 20 anos. Em 2000, essas participações eram de 43% e 28%, respectivamente.

O responsável pela área automotiva da consultoria Roland Berger no Brasil, Stephan Keese, cita que a China tem uma das frotas mais novas atualmente, com idade média de 4 anos e 6 meses. As vendas de veículos naquele país tiveram um boom nos últimos anos e, segundo ele, um programa governamental adotado recentemente fez com que 10% da frota de carros com mais de dez anos saísse de circulação. (O Estado de S. Paulo/Cleide Silva)

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