Petrobras prevê ultrapassar meta de vendas da Gas Brasiliano

Distribuidora comprada da italiana Eni pode alcançar em 2014 a venda de 1,2 milhões de metros cúbicos de gás

A diretora de gás e energia da Petrobras, Graça Foster, afirmou que a empresa tem grandes expectativas de ultrapassar as metas de vendas da Gas Brasiliano, que se comprometeu com a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) a atingir a venda de 1,2 milhões de m³ por dia em 2014. A distribuidora, que está sendo comprada pela estatal da italiana Eni, vende hoje 560 mil m³ por dia.

"A preocupação que temos em encontrar mercado para nossas reservas (de gás) é um sinal claro de que chegamos à Gas Brasiliano com vontade de desenvolver aquele mercado", comentou a executiva, em entrevista concedida para falar sobre a operação de compra anunciada em maio último, orçada em US$ 250 milhões. Graça não detalhou os planos da Petrobrss, mas adiantou que há grande potencial para geração de energia elétrica na área de concessão da Gas Brasiliano.

"É uma área de concessão muito difícil, com grande concorrência com cana-de-açúcar e biomassa", destacou, acrescentando que a extensão geográfica da concessão, de cerca de 140 mil quilômetros quadrados, exigirá grandes investimentos.

A compra da Gas Brasiliano foi justificada com números . Segundo ela, a Petrobras injetou no mercado uma média de 48,8 milhões de m³ por dia no primeiro trimestre, sendo parte consumida pela própria estatal e 39,8 milhões passaram pelas distribuidoras.

A Petrobras, porém, só foi responsável pela venda ao consumidor final de 8,8 milhões de m³ por dia - parcela equivalente à sua participação acionária em 20 distribuidoras de gás canalizado. "Isso significa que, de todo o gás que passa pelo Brasil, só vendemos 22,3%", destacou. Com a Gas Brasiliano, o número sobe pouco, para 23,6%.

De todo modo, Graça acrescentou que a Petrobras chega à distribuidora paulista com maior flexibilidade para desenvolver clientes. Nesse sentido, a empresa já vem realizando leilões de contratos de curto prazo a preços com deságio, modelo que pode ser intensificado na Gas Brasiliano.

Além de clientes de sua área de concessão, disse Graça, a distribuidora vai buscar também a atração de clientes de outras distribuidoras. A executiva não quis comentar se mantém o interesse na Comgás, a maior distribuidora de gás do Brasil.


Fonte: Nicola Pamplona, “O Estado de S.Paulo”, 29/05/10

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