Complexo de escoamento de gás terá túnel na Serra do Mar






A Petrobras está empenhada no cumprimento do cronograma das obras do Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, que têm pela frente o gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (Gastau), onde um túnel em rocha requer emprego de equipamento avançado



O gasoduto Caraguatatuba-Taubaté destina-se a escoar o gás natural do Campo de Mexilhão, na Bacia de Santos. A obra vai ampliar a malha de dutos dos Estados do Sudeste e atender à crescente demanda pelo produto. Resumidamente, conforme o projeto original, as obras são as seguintes:



Construção e montagem da plataforma Mexilhão 1 (fixa), composta de uma jaqueta e dois módulos – um para utilidades, acomodação e heliponto e outro para o processo, geração e tratamento de gás. Essa jaqueta foi construída pelo Estaleiro Mauá Jurong. É de aço e fixada no fundo do mar por oito estacas, a uma distância de 143,2 km da costa, em lâmina d’água de 172 m, interligada a poços produtores de gás. Com altura de 227 m (182 m de jaqueta) a plataforma é apontada como a mais alta do gênero na Petrobras.


O gasoduto marítimo, para ligar a plataforma à praia, é enterrado no fundo do mar, até atingir profundidade de segurança. Tem diâmetro de 34’’ e 135,5 km de extensão. O trecho terrestre, de 7,7 km, sai da praia para conectar-se à Unidade de Tratamento de Gás de Caraguatatuba (UTGCA).


Por seu turno, a ligação entre a UTGCA e o ponto de conexão do gasoduto Campinas-Rio de Janeiro, em Taubaté, será feita por meio de um gasoduto terrestre, o Gastau, que passará pelas cidades de Paraibuna, São Jose dos Campos e Caçapava, prolongando-se por 94 km. Com dutos de 28’’, ele escoará a produção de gás natural da unidade de Caraguatatuba e progredirá por um túnel de 5,2 km de extensão, de modo a reduzir os impactos ambientais que poderia provocar no Parque Estadual da Serra do Mar.


Para o escoamento do subproduto do gás natural (gasolina natural), do processo, um duto com diâmetro de 6’’ e cerca de 18,5 km de extensão sairá da unidade de Caraguatatuba até chegar ao terminal de São Sebastião (SP).


A UTGCA terá capacidade de processamento de 15 milhões de m3/dia de gás. Ali será feita a separação e o tratamento de gás recebido da plataforma, obtendo-se, como produtos, o gás natural especificado, o GLP (gás de cozinha) e o condensado. A UTGCA terá 500 mil m2 de área construída, distribuídos em terreno de 1 milhão de m2, em sítio de Caraguá.



O gás natural seguirá pelo gasoduto terrestre até Taubaté, de onde, através do gasoduto Campinas-Rio de Janeiro, será distribuído para o mercado consumidor. O GLP será retirado da unidade por meio de caminhões e transportado para as distribuidoras. Já o condensado (gasolina natural ou C5+) será destinado, por um duto, ao terminal de São Sebastião, onde será processado para encaminhamento posterior às refinarias.



No túnel, uma tecnologia inédita



Com as obras da UTGCA, a Schahin Engenharia tornou-se pioneira, no Brasil, na utilização do método de escavação Tunnel Boring Machine (TBM), em um túnel construído em rocha. Trata-se da segunda fase das obras do gasoduto Gastau, que faz parte do sistema de escoamento de gás natural.



Dos 160 km de gasoduto, a empresa é responsável pela construção de 5,2 km de túnel, sendo 4,7 km de escavação em rocha. Na primeira fase, que compreende os 300 m iniciais, utilizou-se o método convencional NATM (New Austrian Tunnelling Method), com escavadeiras hidráulicas, carregadeiras, caminhões basculantes, explosivos e aplicação de concreto projetado. Nesta etapa, o revestimento do túnel foi executado com a instalação de cambotas metálicas e aplicação de concreto projetado.



A empresa informou que, para a escavação em rocha, inovou e contratou uma tuneladora alemã, que está em pleno funcionamento. A escolha desse tipo de máquina foi feita para se obter ganho de produtividade e aumentar a segurança na execução do empreendimento, sem comprometer o custo.



O equipamento é composto por um sistema integrado que, além da escavação na rocha, executa todas as contenções, como a colocação dos anéis, tratamentos e monitoramentos, garantindo a execução segura e em conformidade com todos os requisitos exigidos em obras com essas características. Além disso, dispõe da mais recente tecnologia de perfuração e de um moderno dispositivo de sondagem geotécnica, que permite minimizar os riscos de acidentes e paralisações das atividades.



Também conhecida como “tatuzão”, a tuneladora tem cerca de 130 m de comprimento, 6,20 m de diâmetro, pesa aproximadamente 750 t e a expectativa média de escavação diária é de 20 m. A operação do equipamento está a cargo da Ghella, empresa italiana com larga experiência nesse tipo de obra.



Antes de colocar a máquina em funcionamento, um evento, realizado em setembro, celebrou o fim da etapa de montagem do equipamento. Com a participação da diretoria da Schahin e de representantes da Petrobras e da Ghella, foi “dada a bênção da tuneladora”, batizada de Anita, em homenagem à heroína brasileira Anita Garibaldi, símbolo de dedicação e coragem no Brasil e na Itália.



A Schahin Engenharia contratou a GeoCompany para elaborar o projeto e fazer o acompanhamento técnico da obra.





Fonte: Revista “O Empreiteiro”, maio/10


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