Espírito Santo desenvolve setor de gás natural

Em meados de julho desse ano, o litoral capixaba ganhou destaque na mídia como a região onde foi iniciada a produção comercial no pré-sal, no campo de Baleia Franca, na Bacia de Campos. Atualmente, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para o mês de agosto, o Espírito Santo é o segundo maior produtor de petróleo do Brasil, com 279.739 mil barris de óleo equivalente, o que remete ao fato de que a quantidade de gás natural extraída no Estado também é considerada relevante.

Em se tratando especificamente de gás, o Estado surge como quarto maior produtor, com pouco mais de seis milhões de metros cúbicos por dia, de acordo com a ANP. Essa realidade vem atraindo investimentos para o Espirito Santo, como o polo gás-químico, a ser construído pela Petrobras em Linhares. “De 2010 a 2014, serão investidos cerca de R$ 32 bilhões na área de petróleo, incluindo investimentos da Petrobras e fornecedores. Para se ter uma ideia, só a indústria brasileira de petróleo contrata, no ES, cerca de R$ 4 bilhões em bens e serviços por ano”, afirma o secretário de Estado de Desenvolvimento, Márcio Félix Carvalho Bezerra.

O secretário acredita que o Gasoduto Sudeste Nordeste (Gasene) tem papel importante na evolução do setor de gás no Estado e explica que a conquista da maturidade adquirida em relação à estrutura gasífera é crucial na questão do polo. “Diante desse amadurecimento, o Estado atraiu o projeto do Complexo Gás-Químico, que irá produzir ureia, metanol e derivados e atrair empresas de setores de móveis, tintas, vernizes, solventes, couros, entre outras, que irão gerar emprego e renda para o Espírito Santo. Além de agregar valor ao insumo”, diz.


Evolução

Grande produtor de gás natural, o Espírito Santo também conta com uma rede de gasodutos estruturada, a partir da criação da Agência de Serviços Públicos de Energia (Aspe), que regulou a distribuição no Estado. Entre os anos de 2004 e 2009, a rede de tubulação que abastece a Região Metropolitana de Vitória passou de 64 quilômetros para 128 quilômetros. Já o número de clientes foi multiplicado por cinco.

De 2007 a 2009, seis municípios do Estado (Linhares, Colatina, João Neiva, Guarapari, Ibiraçu e São Mateus) passaram a contar com postos de Gás Natural Veicular (GNV), que são supridos através de Gás Natural Comprimido (GNC). Transportado em cilindros, por meio de caminhões, o gás natural chega a localidades que ainda não possuem redes de gás canalizado, permitindo que um veículo abastecido com GNV possa hoje percorrer todo o território capixaba usando apenas este combustível.

A organização do setor também rende frutos na geração de energia, com o crescimento da capacidade de processamento e transporte de gás nos últimos anos, o que possibilitou que o Estado ganhasse oito termelétricas em leilões, permitindo uma produção três vezes maior que o consumo. “Com isso, nos tornaremos exportadores de energia para o sistema elétrico nacional”, celebra Márcio Félix.


Fonte: Matheus Franco/Nicomex Notícias, outubro/10

Voltar