Mercado de GNV quer atingir veículos pesados

Utilização pode contribuir para reduzir a importação de diesel no País

O menor impacto ambiental em relação ao óleo diesel é um dos principais argumentos empregados para difundir o uso de gás natural veicular (GNV) para caminhões e ônibus. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), atualmente circulam no mundo aproximadamente 453 mil veículos pesados que usam GNV. Porém, no Brasil esse mercado é praticamente inexistente.

O presidente da Associação Latino-Americana de Gás Natural Veicular (ALGNV), Rosalino Fernandes, cita como vantagem do combustível a redução da emissão de gases como o CO2 (gás carbônico). Outro fator é que o Brasil poderia diminuir a importação de diesel se o uso do GNV fosse disseminado em veículos pesados. Ele ressalta que as nações europeias já estão adotando combustíveis de menor impacto ambiental.

Fernandes acredita que existe disponibilidade de gás natural no Brasil para gerar energia termelétrica, mas também para atender ao segmento de transportes. O dirigente defende a flexibilidade da matriz de combustíveis, para não ficar preso a apenas uma opção. "Sempre há uma resistência em fazer mudanças e ainda se verifica um desconhecimento sobre os benefícios do GNV", aponta Fernandes.

A poluição do ar gera custos para o governo devido a doenças pulmonares e outras similares. Segundo o representante da área de Novos Negócios da Iveco, Vitor Reis Americano, um estudo da Universidade de São Paulo (USP) indica que o governo brasileiro gasta, por segundo, R$ 14,00 com tratamentos de problemas respiratórios. A utilização de gás natural em vez de diesel em veículos pesados pode reduzir em, pelo menos, 25% a emissão de CO2. Medidas como a redução de impostos ou linhas de financiamentos para veículos "limpos" podem ajudar a promover essa alternativa de combustível.

A Iveco já comercializa caminhões e ônibus que utilizam GNV na Europa e em países da América do Sul, como Venezuela e Colômbia. A empresa também mantém negociações nesse mercado com Chile, Peru e Argentina.

No cenário nacional, o diretor-técnico comercial da Companhia de Gás do Estado do Rio Grande do Sul (Sulgás), Flávio Soares, aponta que um dos desafios é viabilizar economicamente a opção. Apesar do preço do metro cúbico de GNV ser competitivo, há custos como o da conversão do motor ao combustível.

No caso do R.G. do Sul, que conta apenas com fornecimento de gás natural boliviano, Soares sustenta que o aumento da oferta de gás seria fundamental. No entanto, ele enfatiza que, por apresentar um consumo menor do que uma termelétrica, por exemplo, é possível desenvolver atualmente o mercado de transporte gaúcho com gás natural. Soares, Americano e Fernandes participaram do Workshop sobre GNV em Veículos Pesados, realizado pelo IBP, em parceria com a Sulgás, no Novotel Porto Alegre, em final de novembro/10.

Fonte: Jornal do Comércio, RS/Sindcomb Notícias, dezembro/10

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