Resíduos de esgotos também podem produzir energia

O grande desafio de qualquer cidade não é apenas tratar todo o esgoto gerado, mas também tirar do meio ambiente a grande quantidade de resíduos proveniente dessa fonte - geralmente destinados a aterros sanitários. O Brasil, por exemplo, gera mais de 1 milhão de toneladas por dia, mas o volume tratado ainda é muito reduzido, segundo a empresa alemã Huber Technology.

Para que esse tipo de lixo deixe de ser destinado à natureza, o diretor executivo da empresa, Marco Aurélio Pereira da Silva, conta que a multinacional está oferecendo ao mercado uma nova tecnologia capaz de evaporar a água - no chamado processo de desidratação - até que os resíduos cheguem a 90% de sólido seco.

Hoje a capacidade das companhias as leva a atingir apenas 20% de sólidos. "Esses resíduos em alta concentração têm características de carvão que podem ser usados como fonte de combustão para geração de calor e energia", explica. Mas para atingir esse grau é preciso alguns estágios, diz Silva. No primeiro, a concentração é de apenas 20% de sólidos, que tem ainda um aspecto pastoso. Em seguida, no processo de secagem o lodo passa de 20% para 90%, chegando assim à fase de combustão.

A ideia, de acordo com Silva, é que os benefícios, além atenderem à natureza, sejam revertidos para a própria empresa. Os resíduos nesse estágio podem ser usados como forma de energia, que serve para dar continuidade ao processo de secagem do lodo, barateando assim seus custos operacionais.

"A geração diária de 1.1 milhão de toneladas desse resíduo representa um potencial de 1,6 megawatts de energia. Essa capacidade diária pode gerar energia suficiente para alimentar uma cidade 280 mil habitantes durante um ano inteiro", diz.

Novidade

Mas os benefícios não acabam por aí. Cerca de 2,5% do resíduo se transforma em cinzas, ricas em fósforo e nutrientes, segundo Marco Aurélio Pereira da Silva. "Isso significa que pode ser usada como fertilizante na agricultura, resultando em benefícios ambientais para vários setores", completa.

Enquanto no Brasil essa tecnologia é novidade, na Europa já existem algumas cidades que têm esse sistema instalado. Aurélio conta que a partir dessa decisão, as estações deixaram de consumir energia elétrica das concessionárias para autoproduzir por meio dos resíduos tratados. "Como o custo da energia elétrica é o segundo insumo mais caro no Brasil, há uma grande vantagem em fazer uso do lodo para esse fim", destaca.

Para mostrar a eficiência tecnológica oferecida pela empresa, Silva conta que o processo de secagem é realizado com filtros que inibem a propagação de gases tóxicos. "Esse tratamento é feito de acordo com a legislação alemã de emissão de gases eliminados pela chaminé. Outro cuidado que tomamos é quanto à formação de poeira no processo de secagem. Por ser altamente explosiva tem de ser evitada", diz.

A redução dos custos com a manutenção de aterros é também outro benefício apontado por Silva. "Com o tempo, os aterros vão ficando cheios e as empresas precisam buscar outros que muitas vezes estão longe das cidades, o que acarreta em custos de transportes. Além disso, os aterros são particulares e isso faz com que exista um custo operacional", destaca, observando ainda que uma cidade de 1,5 milhão de habitantes arca com um custo operacional da ordem de R$ 120 a R$ 140 por tonelada de lodo transportado.

"O processo de tratamento oferecido pela Huber pode ser um pouco mais custoso no início, em torno de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões, mas ao longo de cinco anos será possível ter retorno dos investimentos, tendo uma redução de 20% do custo operacional", argumenta.

Marco Aurélio Silva conta, por exemplo, que a tecnologia oferecida pela empresa pode colaborar com a meta do governo do estado de São Paulo de universalizar até 2020 a rede de esgotos. "Mais esgoto significa mais processos de tratamento", afirma.

Segundo o secretário de Recursos Hídricos do estado de SãoPaulo, Edson Giriboni, estão sendo feitos investimentos anuais da ordem de R$ 2 bilhões nessa área.


Gasnet
Fonte: Cristina Ribeiro de Carvalho, Brasil Econômico/Clipping CanalEnergia, 31/05/12

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