Novos contratos da Petrobrás para distribuição de gás

A Petrobras espera concluir, nos próximos três a quatro meses, as negociações com distribuidoras estaduais para assinar novos contratos de fornecimento de gás natural. De acordo com a diretora de gás e energia da estatal, Maria das Graças Foster, esses contratos vão introduzir modalidades diferentes de entrega do gás.

Cerca de 80% do insumo, em média, ficará disponível às distribuidoras na forma de contratos firmes inflexíveis - em que a Petrobras se comprometerá a fornecer um determinado volume de gás de forma contínua, podendo as empresas de distribuição ir à Justiça para receber aquilo a que tem direito.

Já os 20% restantes serão entregues por contratos firmes flexíveis ou interruptíveis - em que o suprimento pode ser cortado episodicamente ou então substituído por entrega de óleo combustível. Foster não quis comentar com quais distribuidoras a Petrobras tem negociações mais avançadas e reiterou que a estatal precisa de um aumento real dos preços reais, entre 15% a 25%, diluídos entre 2008 e 2009. Alguma coisa que será dosada, suavizada ao longo dos próximos dois anos, detalhou a diretora.

Segundo ela, esses reajustes, que também estão em negociação com as distribuidoras, decorrem do aumento de custos para a produção de gás e são necessários para manter a rentabilidade da estatal. Depende (o valor) de região para região, de volume para volume. Os custos na indústria de petróleo e gás acompanham os gastos com a prospecção, justificou Foster, ex-presidente da BR Distribuidora e há dois meses na diretoria da Petrobras.

“É maravilhoso para uma empresa de petróleo o barril a US$ 100. Muito bem, só que os custos acompanham esses preços e o resultado econômico não é linear. Por isso, é necessária uma revisão do preço do gás natural, para que ele possa ser atrativo a todas as operadoras, inclusive a Petrobras”, afirmou.

Foster, que participou em final de novembro/07 de audiência pública na Comissão de Infra-Estrutura do Senado, admitiu que os reajustes necessariamente chegarão ao consumidor final, citando inclusive os veículos movidos a gás. Os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro têm 75% da frota de carros, principalmente táxis, dos quais muitos usam GNV.

O ministro interino de Minas e Energia, Nelson Hubner, também presente na audiência, revelou que o governo tem feito contatos com os secretários estaduais de Fazenda para pedir o corte dos incentivos à venda de carros novos com GNV.

“Estamos pedindo que os Estados não dêem incentivos, para que não expandam (a venda de GNV). No momento em que todas as distribuidoras tiverem o gás, podem oferecer à vontade”, disse Hubner.

No sexto mês de interinidade à frente da pasta, acumulando as funções de ministro e de secretário-executivo, Hubner recebeu elogios da oposição pelos conhecimentos técnicos e pela forma como vem conduzindo o ministério. Mas enfrentou uma discussão com o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que criticou a lentidão do governo na emissão de licenças ambientais e a predominância de usinas térmicas nos últimos leilões de energia elétrica.

Hubner atribuiu os dois problemas ao governo Fernando Henrique Cardoso, que leiloou hidrelétricas sem licenciamento prévio, entregando à iniciativa privada alguns empreendimentos de baixa viabilidade, segundo ele. E disse que a presença indesejável de grande quantidade de térmicas a gás, óleo e carvão nos últimos leilões é resultado do desmonte do planejamento energético do país nos anos 90.

Na audiência, a Petrobras reafirmou o compromisso de investir US$ 18 bilhões na exploração, produção e transporte do gás até 2012. E afirmou que espera obter nos próximos dias a licença do Ibama que autoriza o início das obras do principal trecho do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene) - Cacimbas-Catu, com extensão de 940 quilômetros, a ser inaugurado em setembro de 2009.

Fonte:
http://www.gasnet.com.br/novo_artigos.asp?cod=1358&tipo=Distribuicao

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